quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Prove



Música alta. Abri mãos dos ouvidos e te segurei com os olhos. Deslizei suavemente entre as vibrações do seu respirar e as batidas de ambos os corações. Soei como uma melodia envolvente e te achei. Ali, tentando acompanhar meus passos perdidos. Todo lugar esconde um ponto interessante a ser observado. Todo lugar esconde um você e dois de mim. Um que sabe o que quer e outros dois que camuflam a vontade. Todos ficam. Todos dançam.

Embriaguez. Timidez. Maciez. Ritmo. Respiração. E os corpos entregues aos copos vazios. Cheios, transpirando sangue de alma – suor - e calor. O calor. Um hálito de vulcão que estoura junto com a pulsação da batida sonora. Música, amor em seu estado gasoso. Música e só. Todos cantam juntos. Só e juntos.

O que meu olhar te disse:

“Pode me conduzir. Pode pegar a minha mão e fazer dela ponteiro de bússola. Pode mudar a rota do meu navegar e parar em qualquer porto liberto de mapa. Eu deixo, eu quero, eu me afogo se você prometer me encher de água até que o magma se torne rocha, até que o quente suspire frio, até que meu peito engula o pico vulcânico e se faça oceano. Pode me consumir. Antes que eu suma.”

O que o seu olhar me respondeu:

“Olhe pra mim. Isso. Continue, assim, sedento. Agora molhe os lábios, sopre o lado interno de sua bela camisa, mire o teto, suba, e caia aqui, no meu sorriso rasgado de lado. Vou chegando aos poucos no canto da sua vontade, pedindo licença ao desconhecido só pra ser recebido assim, de cara. Agora me encara. E chama. Que eu vou aí soprar.”


Tempo o bastante para compor um refrão. Eu repito você. E você me decora.