domingo, 24 de maio de 2009

Areia nas velhas botas pretas




... Antes fosse assim sempre, você acordar e lembrar de pouca coisa. Lembrar só do que foi interessante.
Caído ao lado da privada, tudo parecia ter apagado e acendido repentinamente. Levanto, olho no espelho imundo e vejo parte do meu rosto, um olho roxo, um corte pequeno no canto da boca. No chão só restaram cacos de vidro , um maço de cigarro e minha carteira (vazia). Quando volto para o carro na beira da estrada não consigo achar as chaves. Lá vamos nós aos velhos hábitos, pega o fiozinho, raspa um pouco da ponta dele, pega o outro fiozinho , "tec", "tec", plushhh ... faísca = partida.

Um puta sol na minha cabeça, e sem senso algum de direção, só estava seguindo em frente pq a estrada era retilínea mesmo. O som mal pegava, ainda dava para escutar um pouco de Eagles of Death Metal. E a sede ? E a dor de cabeça ? Tudo luxo, pura vaidade. Não tinha mais gosto de guarda chuva na boca, era gosto de gasolina mesmo. Em seguida bate aquele momento " oh, fuck you motherfucker, don't buy me this shit right ?". Paro o carro, sento novamente na beira da estrada ... penso um pouco , abro o porta-malas, pego minha garrafa de Jack Daniels, um copinho de Cabaré, cuspo um pouco para o Santo e bebo. Começo a lembrar de algumas coisas ... e do nada , como num insight, eu vejo as minhas botas cheias de areia ... caio.

Quando eu acordo , o céu está alaranjado, com um azul no seu topo ... só me resta aumentar o som do carro e cantar " Speaking in Tongues", dançando entre os cactos. Já até esqueci da fome, para piorar além de alcoólatra é vegetariano também. Comeremos cactos, sem problemas.

Eu já nem sei o nome do deserto onde fui parar. Leio algumas cartinhas jogadas no banco do carro... uma delas diz " Te amarei até no inferno". Acho que vai mais além do que isso. Tá para nascer... acho que tá para nascer.

Veny.

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