terça-feira, 23 de agosto de 2011
O inverno e seus gravetos
Cortaram minhas asas, pois alegaram que não sabia aproveitar a liberdade que tinha. Tiraram as minhas penas. O motivo? Não era digna da beleza reluzente que elas traziam ao meu ser. Arrancaram meus pés e me condenaram a comer poeira pelo resto da eternidade. Contudo, ensinaram-me o que era vingança. Então, coloquei em prática tudo o que aprendi.
Eu passava os olhos por aquela pilha de livros sobre animais. Ainda não sabia ler, mas admirava com toda a força os traços e cores que a natureza havia utilizado no momento em que criou a fauna. Imaginava o que cada palavra dizia sobre as criaturas fantásticas que a terra gerava... Eu ainda os admiro, confesso.
Naquela noite, fui até os fundos de casa olhar os cavalos. Percebi que estavam inquietos e, sem pensar duas vezes, comecei a cantarolar alguma coisa. Esses animais eram como as asas que sempre quis ter. Com eles, eu era capaz de voar e sentir o vento e o mundo como nunca ninguém havia sentido antes. Eu os amava mais do que a mim mesmo. E um dia a ganância os tirou da minha vida. Ela alegou que eu mal sabia fazer uso do meu tempo livre e, ao invés de procurar conseguir mais bens materiais, eu gastava meu dia cavalgando sem rumo.
A tristeza veio, claro, mas não me rendi. Minha irmã nunca disse uma palavra. Recusou-se a falar desde o nascimento. Deixou os médicos perplexos quando saiu do ventre de minha mãe. Era uma garotinha de olhos vivos e espertos, mas com a boca cerrada. Só que nós conversávamos muito à noite. Ela não precisava de palavras, só tinha que ter seus lápis coloridos e uma folha em branco. Naquele dia, disse-me que eu podia voar mesmo sem cavalos, o que precisava fazer era fechar os olhos e sentir o vento como nunca havia sentido antes.
No jardim, sentei próximo à árvore que minha avó tinha plantado. Era uma tarde quente e de pouca brisa. Esfregava minha mão na terra como se tentasse sentir algo a mais. Sentir algum pulso de vida que viesse das entranhas do solo. As folhas da grande árvore pousaram-se sobre mim. Meu corpo estava coberta por uma outra pele. Eu sentia a tal pulsação. Uma respiração única que entrava em perfeita sintonia com as nuvens que caminham sem pressa pelo céu. A chuva era anunciada e de repente a mão de alguém me puxou. Tirou as folhas que me acolhiam e a voz de trovão disse que não devia me sujar daquele jeito. Que minhas roupas novas não eram dignas de tal imundice trazida por tais folhagens.
O inverno chegou. As casas desapareciam e as pessoas eram como fantasmas. Eu já me conformava com a solidão dos próximos meses e buscava na escrita algum conforto. Certa manhã, acordei e decidi que iria buscar gravetos para fazer uma fogueira e esperar pelo anoitecer. Queria ficar do lado de fora, queria respirar o ar gelado. No meio do caminho percebi que alguém me seguia. Ele tinha o meu tamanho e os meus gravetos nas mãos. Evitei seus olhos por alguns instantes, mas depois percebi que os mesmos tinham um tom de amarelo único. Ele me entregou a madeira e seguimos juntos para o coração do bosque. Lá, contei a ele como haviam arrancado minhas asas e por quais motivos tiraram as folhas que um dia cobriram meu corpo. Sem expressar espanto, contou-me sobre todas as coisas que era obrigado a fazer apenas por ser filho de quem era.
Um abraço e nada mais. O frio se afastou rapidamente. Permiti-me aproveitar tal momento como se fosse o último e de fato foi. Uma mão me puxou pelo braço e então cortou meus pés. Trancou-me em casa e disse que jamais sairia novamente. Falou sobre a vergonha de ser o que eu era e então me privou de congelar para sempre aquele instante. Desde então, optei pelo chão frio do quarto - revestido por uma madeira envelhecida - e a poeira que nasceu da saudade tornou-se minha companheira. O frio e o chão de madeira, o inverno e os gravetos que nos uniram. Seus olhos amarelos voltam durante o verão e eu, que tanto aprendi com a vingança, só lhe ofereci uma doce maçã.
Você me libertou e eu te trouxe o mundo e seus mistérios. Troca justa.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Seek me...
As paredes haviam desabado e não consegui me mover. Da janela do quarto, pude observar o desespero das pessoas e o sangue dos cavaleiros. A ironia surgia como a luz do sol nascente, banhando de ouro a desgraça instaurada. Nesse instante, procurei a paz na cegueira do infinito. Batizei meus olhos com o fogo solar e de rei não sobrou mais nada. Não fiz isso pelo sangue derramada, fui mais egoísta. Fui além da coroa. Fiz isso por você.
Minha vida é normal. Acordo todos os dias o mais cedo possível e tomo conta dos afazeres de casa. O restante da minha família dorme em paz. Não tenho do que reclamar. Minha rotina toma conta das chateações. Ela me sufoca de coisas para fazer e aí evito pensar no mundo e suas complicações. Gosto bastante de desenhar e jogar bola. Meus amigos sempre pedem algum desenho, geralmente, uma caricatura. Estou prestes a terminar o curso na igreja. Conheci Deus e sua história lá. Também ouvi falar do diabo, mas este a gente não precisa dar muita importância.
Nesta semana vamos ter que escolher nossos pares para a festa do "Dia dos Namorados". Os casais vão participar de um concurso de dança e quem ganhar vai poder passear no bosque da cidade com uma cesta de lanche completa. Eu não queria participar, mas sou obrigado. Existem algumas meninas interessantes, mas ainda assim, não sei, parece muito... Não sei, acho que ainda não aprendi a palavra a ser usada.
No dia de definir os casais inventei que estava doente. Mesmo assim não pude evitar o baile. Os que faltaram no dia, automaticamente, formariam pares. Selena era o nome dela. Sua pele parecia feita de neve e seus olhos eram escuros como duas castanhas. Não sorrimos. Faltamos pelo mesmo motivo. Ficamos juntos pelo mesmo motivo.
Pouco nos falamos até o dia do concurso. Ensaiamos alguns passos e só. Até tentei puxar assunto, mas parecia que meu corpo e mente estavam rejeitando algo. Olhava para Selena e só pensava em dizer "Vamos fugir e deixar tudo isso. Vamos ver o mar e dançar para as estrelas apenas". Nunca tinha pensado nessas coisas antes, nem ao menos cogitado desaparecer. Não tinha do que reclamar. Agora tenho.
Agora, minha rotina me matava. Selena estava um doce comigo, pois sua insatisfação inicial havia se tornado um bem querer imenso. Ela entendeu o que eu sentia. Faltamos pelo mesmo motivo, e agora somos amigos pelo mesmo motivo. Ela me contou sobre Julia.
"Passei os meus dias passando tinta branca naquela tela vazia. O contorno não existia pois meus olhos se fechavam para os limites daquele espaço ausente de tons fortes. Minhas mãos se perdiam como crianças que haviam esquecido o caminho de casa. Só ouvia os gritos dos meus pais dizendo que eu ia enlouquecer se continuasse com aquela tela morta. Eu já estava morta... Julia tinha sido separada de mim. Quando meus pais nos viram juntas naquela manhã de primavera, o sopro do inverno matou todas as flores. A última gota de néctar secou. Os lábios de Julia não tinham mais contorno e a cor vermelha havia sido roubada. Certo dia, abri a caixa de correio e vi um pacote com o meu nome. Era um conjunto de tintas. Muitas cores, todas nomeadas. E no lugar da cor do amor estava escrito "Julia". O vermelho só nosso. Nesse dia, resolvi faltar na escola e passar o dia pintando Julias e mais Julias no teto do meu quarto".
Selena conseguiu ultrapassar as barreiras do meu ser. Ela se viu no reflexo de uma vida patética que pertencia àquele garotinho introspectivo. Viu-me, como nunca ninguém viu. Eu lhe contei sobre Joshua.
"Estava prestes a terminar o curso na igreja... Foi quando conheci Joshua. Seus olhos tinham uma cor diferente. Pareciam amarelados como raio de sol. Queimaram os meus e apelei para a cegueira naquele instante. Eu o observava pela janela, enquanto outros garotos apenas se estapeavam e jogavam terra uns nos outros. Ele ficava em silêncio e percebi que aos poucos as paredes que protegiam o meu coração caiam sem parar. Minha vida é normal. Minha vida era normal. Era condicionada. Era anormal para o meu espírito. Resolvi estudar junto dele. Conheci Deus e sua história enquanto Joshua acariciava meus cabelos. E a família que sempre dormia em paz acordou e veio me falar sobre o diabo. Eles pareciam dar muita importância para ele. Disseram que Joshua era um falso desgraçado, que não merecia viver e que eu estava contaminado por uma doença terrível. E enquanto bebia as lágrimas salgadas que escorriam de seus olhos,encontrei a palavra que até então não havia aprendido: superficial. Tudo era superficial até encontrá-lo. Ele não precisava fazer muito, não me prometia o céu nem mesmo uma vida de luxo. Não me dizia que ia durar para sempre, pois era no presente que eu afogava o tempo e enchia os pulmões de vida. Resolvi faltar na escola para passar o dia olhando nos olhos de Joshua. Batizei meus olhos com o fogo solar e de rei não sobrou mais nada. Não fiz isso pela mágoa acumulada, fui correto. Fui além da hipocrisia. Fiz isso por nós."
sábado, 6 de agosto de 2011
Ponte
O asfalto nunca esteve tão perto do meu rosto. Agora, vejo a poeira deixada por milhares de pessoas que nem conheço. Percebe? É como ser solitário num planeta quase lotado. O vento passa e leva tudo.
A semana passou num ritmo próprio. Não fui à faculdade. Não tinha muito sentido e, quando decidi ir, passei o horário de aula bebendo com um velho amigo. A conversa tinha gosto de cigarro e conhaque. Tive certeza no momento de dizer "adeus". Talvez, "adeus" não, mas "cuide-se, caralho".
Resolvi queimar os últimos instantes de liberdade tentando dar espaço ao "amor". Maior burrada de todas. Por que eu não acerto? Sei lá, acho que no fundo gosto mais de mim e não consigo fazer outra coisa, senão aquilo que quero e acho que devo fazer. Comportamento intfantil ou de adolescente inconsequente. Mas o que posso fazer? Recuso-me a aceitar uma vida de covardia e babaquices. Sim, covarde e panaca aquele que vive em função da autoridade dissimulada dessa "sociedade do espetáculo".
Mande-me fazer algo que irá ouvir um "não". Peça, e aí sim poderemos conversar. Ninguém tem o direito de mandar, ordenar. É por isso que as pessoas são assim, relaxadas. Porque sabem que no fundo sempre haverá um frustrado para lhes dizer o que fazer. Experimente libertá-las. Talvez, elas mesmas sejam capazes de traçar seus limites. Caso não sejam, vão fazer questão de resolver logo a situação. Provavelmente, vão morrer. O que não deixa de ser natural também.
Foda-se.
A semana passou num ritmo próprio. Não fui à faculdade. Não tinha muito sentido e, quando decidi ir, passei o horário de aula bebendo com um velho amigo. A conversa tinha gosto de cigarro e conhaque. Tive certeza no momento de dizer "adeus". Talvez, "adeus" não, mas "cuide-se, caralho".
Resolvi queimar os últimos instantes de liberdade tentando dar espaço ao "amor". Maior burrada de todas. Por que eu não acerto? Sei lá, acho que no fundo gosto mais de mim e não consigo fazer outra coisa, senão aquilo que quero e acho que devo fazer. Comportamento intfantil ou de adolescente inconsequente. Mas o que posso fazer? Recuso-me a aceitar uma vida de covardia e babaquices. Sim, covarde e panaca aquele que vive em função da autoridade dissimulada dessa "sociedade do espetáculo".
Mande-me fazer algo que irá ouvir um "não". Peça, e aí sim poderemos conversar. Ninguém tem o direito de mandar, ordenar. É por isso que as pessoas são assim, relaxadas. Porque sabem que no fundo sempre haverá um frustrado para lhes dizer o que fazer. Experimente libertá-las. Talvez, elas mesmas sejam capazes de traçar seus limites. Caso não sejam, vão fazer questão de resolver logo a situação. Provavelmente, vão morrer. O que não deixa de ser natural também.
Foda-se.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Asas
Eu não quero acertar na mosca.
Não quero começar já pensando no fim.
Não quero escrever seu nome em uma aliança (eu quero, mas não exatamente assim)
Não quero te prender
Não quero te perder
Não quero não te ter
mas quero te ter
Não quero te prejudicar
mas quero te amar
logo, quero te provocar
pois quero te amar
Não quero te privar
mas quero me libertar
tudo o que eu quero é ter um beijo
para compensar as palavras desnecessárias
Tudo o que eu quis, eu tive.
E depois?
Não quero idealizar.
Sentir é mais do que raciocinar.
Aprendi, sem querer.
Não quero começar já pensando no fim.
Não quero escrever seu nome em uma aliança (eu quero, mas não exatamente assim)
Não quero te prender
Não quero te perder
Não quero não te ter
mas quero te ter
Não quero te prejudicar
mas quero te amar
logo, quero te provocar
pois quero te amar
Não quero te privar
mas quero me libertar
tudo o que eu quero é ter um beijo
para compensar as palavras desnecessárias
Tudo o que eu quis, eu tive.
E depois?
Não quero idealizar.
Sentir é mais do que raciocinar.
Aprendi, sem querer.
sábado, 23 de julho de 2011
Secaram
Mundo, pare por um instante e me ouça. Ou melhor, não quero que me ouça, quero que se esforce para me compreender de uma vez por todas.
Era uma vez...
Nasci. Em silêncio. Minha mãe esperava um choro. Compreensível. Ela queria um parto "normal". A medicina dizia que sim, eu não dizia nada. Esse era o problema. Já nasci em silêncio e meu coração desistia de lutar antes mesmo de ser banhado pela luz de um novo mundo. Nasci cansado de viver.
Enquanto crescia, mais silêncio. "Meus pais são meus melhores amigos". Não, eles eram apenas meus pais. E que esse título seja suficiente. Não toleraria cobranças. Havia amor, não nego e nem tenho motivos para negar. Mas era um amor invisível que se fazia nos detalhes. Não mudei muito, devo admitir.
(In)Felizes para sempre. Fim.
Pense num grande empresário que conseguiu criar seu legado com esforço e recebeu dúzias e mais dúzias de palmas calorosas... Agora pense nesse mesmo individuo vendo que suas crias têm vontade própria. O que ele (você) faria? De repente, pegaria uma caneta e então listaria todas as coisas que seus filhos deveriam deixar de fazer e, principalmente, daria ênfase para as punições caso algum anarquista tentassse se destacar. Pois bem, ou você apelaria para a Constituição ou para a Bíblia Sagrada. Dois elmentos que mudam de nome em outros países e culturas, mas nunca de essência e propósito.
De repente, esse filho(a) decide questionar o poder absoluto. E aí, os dias dourados desaparecem e as asas que antes anunciavam o amanhcecer, hoje batem durante a noite, como se a escuridão e o fim do dia fossem algo amaldiçoado. De repente, o sorriso bonito e o olhar sagaz se tornassem o maior dos pecados. O poder não deve ser questionado. E esse único inconformado trilhou sua própria ruína. Queria, a qualquer custo, aquilo que mais detestava: o poder absoluto. Buscou sua própria morte. Buscou seu fim. E quem deve julgá-lo?
Quando você sente aquela dor na boca do estômago que gela a alma e te faz franzir a testa, passa a entender que nem todos querem viver assim para sempre. Acorda e diz que não quer dar a volta por cima, que prefere parar e chorar. Admite que está ferido(a) e nada mais faz tanto sentido. Busca uma forma de evitar que os outros possam perceber seus braços machucados, não por vergonha, mas porque quer apenas evitar longos discursos de pessoas que são tão covardes ao ponto de dizer que " é errado se sentir assim".
Quantas vezes eu mesmo não acordei com vontade de jogar ao vento tudo o que conquistei? E quantas vezes me disseram que eu era errado e que isso ia passar? Tentavam tirar de mim o direito de errar, não por que se preocupavam de fato, mas porque temiam o momento em que minhas lágrimas escorressem na mesa de jantar ou naquela festa em que tudo deveria dar certo. Evitavam-me, enquanto demonstravam acolhimento. Mas nunca se perguntaram se eu realmente queria contar algo. Eu nunca fiz questão e quanto fiz, escrevi ao invés de telefonar.
Ótimo que muitas pessoas consigam superar suas frustrações amorosas. Parabéns para aqueles que têm o dom de não transparecer as fraquezas. Para o resto do mundo, vocês são exemplares. Quase como totens adorados. Mas para mim... Talvez eu veja além das talhas na madeira. Eu já fui assim. Uma muralha intransponível. Porém, certo dia percebi que um fio de água escorria pelas pedras rústicas. Esse fio me conduziu até o oceano onde meu coração dançava junto com as ondas. Subia e descia, sempre fiel à maré. Nem por isso me tornei um incapaz. Muito pelo contrário. A muralha passou a ser mais forte ainda. Contava, agora, com a água limpa para revigorar sua armadura cansada de tantas batalhas.
Você pode se drogar e chorar durante toda a noite. Ou pode rir da desgraça que assola sua mente. Pode se drogar e ligar para a pessoa amada - na pior hora - e dizer as melhores palavras. Também pode se drogar e evitar os amigos, ligar o som e escutar as velhas músicas. Pode chegar na beira do precipício e rezar (algo que nunca fez durante toda a vida) ou simplesmente acender um cigarro e curtir a paisagem. Pode correr pela rua às 6h da manhã, enquanto os outros dormem. E, no mieo do caminho, para e percebe o quão precioso é aquele momento. Pode amar seu melhor amigo e odiar sua namorada. Você pode, entende? O que te mata é a voz de alguém que nunca lhe abraçou a dizer: "pare, isso é errado, o que vão pensar de você?" O que você vai pensar de si mesmo se parar? Já pensou? Então.
Cante as canções mais bontas. Saberemos para quem é. Escreva suas poesias e molhe a ponta da caneta com lágrimas. Elas sim sabem sobre sua essência. Desenhe até seus pulsos gritarem, eles sim conhecem sua força. Escreva e dance conforme as frases.
Escrever...
“A razão foi abençoada com a fidelidade da língua e da boca. Toda vez em que ela precisa se pronunciar ela procura essas duas parceiras e então se faz entender. Mas e o coração? Preso na caixa torácica, enjaulado como fera perigosa e indomável. Selvagem e sem dizer uma palavra. O mais invejado de todos.
Pois bem. No seu silêncio ele encontrou dois outros 'mudos': os olhos e as mãos. O coração pulsa mais forte quanto o olhar tímido capta aquela figura perfeita que foi roubada do cotidiano. Ele bate mais rápido, enquanto as mãos pedem licença para descrever as curvas irregulares do corpo, modelado com a melhor argila. Ele chora quando os olhos já não mais conseguem enxergar o sorriso do outro lado. Ele sofre quando aquelas mãos dizem 'adeus' lentamente. O coração e seus amigos, mudos e tão expressivos. Ele diz tanto. E para não se esquecer de todas as vivências, faz o último pedido: ‘Mãos, por favor, escrevam enquanto eu bater’. Obrigado. Mas por livre e espontânea vontade.
Aprender
Hoje, vejo claramente que todas as certezas devem ser bombardeadas por questionamentos. Devem ser desafiadas até que consigam provar sua legitimidade. E quando issi for provado, que o mundo possa parir outro espírito inquieto para desafiá-las. Mas desse modo, não teríamos algo para nos apoiarmos. Exatamente.
Seus amigos podem lhe dizer as melhores frases e fazerem os melhores convites que ainda assim, a chateação só vai partir quando VOCÊ decidir expulsá-la. A reabilitação só faz sentido quando é VOCÊ quem procura por ajuda. A garrafa só se torna algo ruim e destrutivo quando VOCÊ percebe que as lágrimas estão mais densas. Enquanto não chegar a tais conclusões, o que lhe disserem irá soar como piedade. E isso, meu amigo(a) é algo que TODOS repudiam. Isso sim é uma certeza. E quem vai questioná-la? VOCÊ?
É o amor. Ele é o culpado. Ele que nos faz humanos demais. O amor é algo exclusivo da nossa espécie. Não por que raciocinamos e somos capazes de pensar e criar novos pensamentos. Mas porque é ele quem nos faz viver todos os dias. Se há ódio é porque antes houve amor. Se você está triste é porque o amor passou pela sua vida e ficou pouco tempo. Se está feliz, é porque ele precisa de um novo lar. Mas como tudo passa, aproveite todas as noites em claro e o abrace bem forte. É o amor. Entendeu, mundo?
Hoje, uma das minhas lágrimas secou por conta própria.
Era uma vez...
Nasci. Em silêncio. Minha mãe esperava um choro. Compreensível. Ela queria um parto "normal". A medicina dizia que sim, eu não dizia nada. Esse era o problema. Já nasci em silêncio e meu coração desistia de lutar antes mesmo de ser banhado pela luz de um novo mundo. Nasci cansado de viver.
Enquanto crescia, mais silêncio. "Meus pais são meus melhores amigos". Não, eles eram apenas meus pais. E que esse título seja suficiente. Não toleraria cobranças. Havia amor, não nego e nem tenho motivos para negar. Mas era um amor invisível que se fazia nos detalhes. Não mudei muito, devo admitir.
(In)Felizes para sempre. Fim.
Pense num grande empresário que conseguiu criar seu legado com esforço e recebeu dúzias e mais dúzias de palmas calorosas... Agora pense nesse mesmo individuo vendo que suas crias têm vontade própria. O que ele (você) faria? De repente, pegaria uma caneta e então listaria todas as coisas que seus filhos deveriam deixar de fazer e, principalmente, daria ênfase para as punições caso algum anarquista tentassse se destacar. Pois bem, ou você apelaria para a Constituição ou para a Bíblia Sagrada. Dois elmentos que mudam de nome em outros países e culturas, mas nunca de essência e propósito.
De repente, esse filho(a) decide questionar o poder absoluto. E aí, os dias dourados desaparecem e as asas que antes anunciavam o amanhcecer, hoje batem durante a noite, como se a escuridão e o fim do dia fossem algo amaldiçoado. De repente, o sorriso bonito e o olhar sagaz se tornassem o maior dos pecados. O poder não deve ser questionado. E esse único inconformado trilhou sua própria ruína. Queria, a qualquer custo, aquilo que mais detestava: o poder absoluto. Buscou sua própria morte. Buscou seu fim. E quem deve julgá-lo?
Quando você sente aquela dor na boca do estômago que gela a alma e te faz franzir a testa, passa a entender que nem todos querem viver assim para sempre. Acorda e diz que não quer dar a volta por cima, que prefere parar e chorar. Admite que está ferido(a) e nada mais faz tanto sentido. Busca uma forma de evitar que os outros possam perceber seus braços machucados, não por vergonha, mas porque quer apenas evitar longos discursos de pessoas que são tão covardes ao ponto de dizer que " é errado se sentir assim".
Quantas vezes eu mesmo não acordei com vontade de jogar ao vento tudo o que conquistei? E quantas vezes me disseram que eu era errado e que isso ia passar? Tentavam tirar de mim o direito de errar, não por que se preocupavam de fato, mas porque temiam o momento em que minhas lágrimas escorressem na mesa de jantar ou naquela festa em que tudo deveria dar certo. Evitavam-me, enquanto demonstravam acolhimento. Mas nunca se perguntaram se eu realmente queria contar algo. Eu nunca fiz questão e quanto fiz, escrevi ao invés de telefonar.
Ótimo que muitas pessoas consigam superar suas frustrações amorosas. Parabéns para aqueles que têm o dom de não transparecer as fraquezas. Para o resto do mundo, vocês são exemplares. Quase como totens adorados. Mas para mim... Talvez eu veja além das talhas na madeira. Eu já fui assim. Uma muralha intransponível. Porém, certo dia percebi que um fio de água escorria pelas pedras rústicas. Esse fio me conduziu até o oceano onde meu coração dançava junto com as ondas. Subia e descia, sempre fiel à maré. Nem por isso me tornei um incapaz. Muito pelo contrário. A muralha passou a ser mais forte ainda. Contava, agora, com a água limpa para revigorar sua armadura cansada de tantas batalhas.
Você pode se drogar e chorar durante toda a noite. Ou pode rir da desgraça que assola sua mente. Pode se drogar e ligar para a pessoa amada - na pior hora - e dizer as melhores palavras. Também pode se drogar e evitar os amigos, ligar o som e escutar as velhas músicas. Pode chegar na beira do precipício e rezar (algo que nunca fez durante toda a vida) ou simplesmente acender um cigarro e curtir a paisagem. Pode correr pela rua às 6h da manhã, enquanto os outros dormem. E, no mieo do caminho, para e percebe o quão precioso é aquele momento. Pode amar seu melhor amigo e odiar sua namorada. Você pode, entende? O que te mata é a voz de alguém que nunca lhe abraçou a dizer: "pare, isso é errado, o que vão pensar de você?" O que você vai pensar de si mesmo se parar? Já pensou? Então.
Cante as canções mais bontas. Saberemos para quem é. Escreva suas poesias e molhe a ponta da caneta com lágrimas. Elas sim sabem sobre sua essência. Desenhe até seus pulsos gritarem, eles sim conhecem sua força. Escreva e dance conforme as frases.
Escrever...
“A razão foi abençoada com a fidelidade da língua e da boca. Toda vez em que ela precisa se pronunciar ela procura essas duas parceiras e então se faz entender. Mas e o coração? Preso na caixa torácica, enjaulado como fera perigosa e indomável. Selvagem e sem dizer uma palavra. O mais invejado de todos.
Pois bem. No seu silêncio ele encontrou dois outros 'mudos': os olhos e as mãos. O coração pulsa mais forte quanto o olhar tímido capta aquela figura perfeita que foi roubada do cotidiano. Ele bate mais rápido, enquanto as mãos pedem licença para descrever as curvas irregulares do corpo, modelado com a melhor argila. Ele chora quando os olhos já não mais conseguem enxergar o sorriso do outro lado. Ele sofre quando aquelas mãos dizem 'adeus' lentamente. O coração e seus amigos, mudos e tão expressivos. Ele diz tanto. E para não se esquecer de todas as vivências, faz o último pedido: ‘Mãos, por favor, escrevam enquanto eu bater’. Obrigado. Mas por livre e espontânea vontade.
Aprender
Hoje, vejo claramente que todas as certezas devem ser bombardeadas por questionamentos. Devem ser desafiadas até que consigam provar sua legitimidade. E quando issi for provado, que o mundo possa parir outro espírito inquieto para desafiá-las. Mas desse modo, não teríamos algo para nos apoiarmos. Exatamente.
Seus amigos podem lhe dizer as melhores frases e fazerem os melhores convites que ainda assim, a chateação só vai partir quando VOCÊ decidir expulsá-la. A reabilitação só faz sentido quando é VOCÊ quem procura por ajuda. A garrafa só se torna algo ruim e destrutivo quando VOCÊ percebe que as lágrimas estão mais densas. Enquanto não chegar a tais conclusões, o que lhe disserem irá soar como piedade. E isso, meu amigo(a) é algo que TODOS repudiam. Isso sim é uma certeza. E quem vai questioná-la? VOCÊ?
É o amor. Ele é o culpado. Ele que nos faz humanos demais. O amor é algo exclusivo da nossa espécie. Não por que raciocinamos e somos capazes de pensar e criar novos pensamentos. Mas porque é ele quem nos faz viver todos os dias. Se há ódio é porque antes houve amor. Se você está triste é porque o amor passou pela sua vida e ficou pouco tempo. Se está feliz, é porque ele precisa de um novo lar. Mas como tudo passa, aproveite todas as noites em claro e o abrace bem forte. É o amor. Entendeu, mundo?
Hoje, uma das minhas lágrimas secou por conta própria.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Esta é a hora em que...
Eu abandono a mim mesmo e faço questão de redesenhar o mundo sem os traços de Deus. É quando reclamo meu direito de herdeiro do paraíso e guardo um lugar para nós. O momento exato em que consigo enxergar o que há de semelhante entre o céu e o inferno.
Faço um mar só para nós, onde as conchas cantam todas as canções que fazem nossos corações selvagens pulsarem... Nele, busco a profundidade do "sentir",então sem nome, faço o coração adoecer e o ensino a respeitar a paciência. No instante em que o infinito foi finito e no canto das extremidades não regulares foi regular, encontrei seu sorriso solitário e o fiz companhia. Eram dois sorrisos buscando um terceiro rosto para cortar. Eu sempre apostei na nossa falta de linearidade. Quase como um corte na face da modelo perfeita.
Empatia te faz entender. Se parece tudo muito confuso, use-a. Ponha-se no meu lugar e então faça questão de compreender. É como rebobinar uma fita dez vezes para decorar todas as falas... Sabe?
O corpo mal educado dança conforme a sua própria música. Canta a letra que lhe convém e então seduz outros corpos incapazes de trilhar o que lhes foi prescrito. Confortável mesmo é deitar na cama do outro, desarrumá-la e então acordar como se nada tivesse acontecido. Confortável é negar o beijo como se ele não tivesse acontecido. Mas veja, minhas palavras não entregam aquele momento único que vivemos. Quem o abriga é a vaga memória do dia no qual o corpo e a mente finalmente encontraram uma trégua. O que importa mesmo é saber que você estava lá. E que nossas almas se conectaram.
Quantas vezes tomei a guerra como filha única e matei qualquer pretendente que tentasse mudar a história? Ou melhor, a nossa história. Como pai, fui cego e manipulado. Preferi honrar algo invisível do que manter em vigor o que me era tangível. Todas as religiões me perdoaram, afinal sou pai. Mereço o sol. Mereço o direito de errar e não pedir desculpas. Meus filhos nunca ouviram isso e me orgulho de tê-los educado assim. Só a lua conhece a verdade.
Enquanto o dia encanta as ações, somente à noite é que encontramos espaço para exercer o lado "humano". Se os dedos dançam através das frases postadas em um Facebook, o coração chora insatisfeito. Se as risadas são esteticamente bem digitadas, o sorriso desaparece em instantes. Mas viver nessa frustração crônica não é como declarar a própria pena de morte. Através de códigos binários, todos somos iguais pelo zero e um, mas diferentes pelo uso exagerado da repetição. Se Apolo deu certo como deus do sol, Éris não precisa abandonar seu pomar dourado no intuito de ser convidada para a festa de Páris e sua amada. Concorda?
Vivemos hoje o que foi negado e abominado no passado. Vivemos hoje o que tínhamos que ter vivido ontem. Veja, não adianta, a história precisa ser escrita. Os leitores de hoje são os censurados de ontem. Os escritores de hoje nada mais são do que os inconformados de ontem.
O álcool escorre pela mesa assim como o sangue escorre pelo braço. Se a fuga não está nos amigos e família e nem mesmo nas toxinas, então que se faça útil o tempo em que estive isolado, escutando aos mesmos discos, milhares de vezes. Que eu mesmo não seja tão fraco ao ponto de eliminar todas as chances de fugir. O que procuramos todos os dias são as saídas. São os momentos em que alguém se responsabiliza pelos nossos erros. E se não houver ninguém, que pelo menos nos levem a sério. Pois se hoje somos os drogados e bêbados derrotados, amanhã seremos os conselheiros que ensinam o caminho para fora da escuridão. Por mais perdido que eu pareça ser, no fundo, sou reflexo daquilo que você sonha todos os dias em ser. Livre, para errar e acertar. Nem tudo se resume no "vencer".
ERROS DE PORTUGUÊS EXISTEM.
Faço um mar só para nós, onde as conchas cantam todas as canções que fazem nossos corações selvagens pulsarem... Nele, busco a profundidade do "sentir",então sem nome, faço o coração adoecer e o ensino a respeitar a paciência. No instante em que o infinito foi finito e no canto das extremidades não regulares foi regular, encontrei seu sorriso solitário e o fiz companhia. Eram dois sorrisos buscando um terceiro rosto para cortar. Eu sempre apostei na nossa falta de linearidade. Quase como um corte na face da modelo perfeita.
Empatia te faz entender. Se parece tudo muito confuso, use-a. Ponha-se no meu lugar e então faça questão de compreender. É como rebobinar uma fita dez vezes para decorar todas as falas... Sabe?
O corpo mal educado dança conforme a sua própria música. Canta a letra que lhe convém e então seduz outros corpos incapazes de trilhar o que lhes foi prescrito. Confortável mesmo é deitar na cama do outro, desarrumá-la e então acordar como se nada tivesse acontecido. Confortável é negar o beijo como se ele não tivesse acontecido. Mas veja, minhas palavras não entregam aquele momento único que vivemos. Quem o abriga é a vaga memória do dia no qual o corpo e a mente finalmente encontraram uma trégua. O que importa mesmo é saber que você estava lá. E que nossas almas se conectaram.
Quantas vezes tomei a guerra como filha única e matei qualquer pretendente que tentasse mudar a história? Ou melhor, a nossa história. Como pai, fui cego e manipulado. Preferi honrar algo invisível do que manter em vigor o que me era tangível. Todas as religiões me perdoaram, afinal sou pai. Mereço o sol. Mereço o direito de errar e não pedir desculpas. Meus filhos nunca ouviram isso e me orgulho de tê-los educado assim. Só a lua conhece a verdade.
Enquanto o dia encanta as ações, somente à noite é que encontramos espaço para exercer o lado "humano". Se os dedos dançam através das frases postadas em um Facebook, o coração chora insatisfeito. Se as risadas são esteticamente bem digitadas, o sorriso desaparece em instantes. Mas viver nessa frustração crônica não é como declarar a própria pena de morte. Através de códigos binários, todos somos iguais pelo zero e um, mas diferentes pelo uso exagerado da repetição. Se Apolo deu certo como deus do sol, Éris não precisa abandonar seu pomar dourado no intuito de ser convidada para a festa de Páris e sua amada. Concorda?
Vivemos hoje o que foi negado e abominado no passado. Vivemos hoje o que tínhamos que ter vivido ontem. Veja, não adianta, a história precisa ser escrita. Os leitores de hoje são os censurados de ontem. Os escritores de hoje nada mais são do que os inconformados de ontem.
O álcool escorre pela mesa assim como o sangue escorre pelo braço. Se a fuga não está nos amigos e família e nem mesmo nas toxinas, então que se faça útil o tempo em que estive isolado, escutando aos mesmos discos, milhares de vezes. Que eu mesmo não seja tão fraco ao ponto de eliminar todas as chances de fugir. O que procuramos todos os dias são as saídas. São os momentos em que alguém se responsabiliza pelos nossos erros. E se não houver ninguém, que pelo menos nos levem a sério. Pois se hoje somos os drogados e bêbados derrotados, amanhã seremos os conselheiros que ensinam o caminho para fora da escuridão. Por mais perdido que eu pareça ser, no fundo, sou reflexo daquilo que você sonha todos os dias em ser. Livre, para errar e acertar. Nem tudo se resume no "vencer".
ERROS DE PORTUGUÊS EXISTEM.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Além da cegueira
Controlar a raiva... Segurar o choro... Forçar um sorriso... Apertar a mão com pouca força... E quando só nos resta sentir? Nem sempre conseguimos censurar o que há de pior/melhor em nossa essência.
Sempre tive fortes ondas de raiva que destruíam os castelos de areia feitos pela razão. Não me importava com a complexidade das paredes ou os detalhes na escadaria. Era areia e devia ser derrubada. Devia voltar a sua forma homogênea e sem definição. Sem razão, sem pontas, sem forma. É isso, a raiva quer isso de mim. Quer que eu não me reconheça e apenas dissolva o que sobrou. Poeira. Fragmentos. Restos de restos.
Mas de repente, as ondas recuaram e então pude enxergar além do óbvio. Pude perceber que a raiva, tão poderosa, se traiu. Ao invés de me cegar e não permitir que visse a simplicidade das coisas, me ajudou a encontrar um ponto de canalização. E qual foi este ponto? O fato de olhar para mim mesmo e perceber que não sou eu o perdido. Não sou eu quem conta grãos no litoral, como se buscasse a si mesmo. Tão pequeno.
Basta saber lidar com o mar e saber que ele está cheio de possibilidades. Um dia a maré sobe, no outro...
Sempre tive fortes ondas de raiva que destruíam os castelos de areia feitos pela razão. Não me importava com a complexidade das paredes ou os detalhes na escadaria. Era areia e devia ser derrubada. Devia voltar a sua forma homogênea e sem definição. Sem razão, sem pontas, sem forma. É isso, a raiva quer isso de mim. Quer que eu não me reconheça e apenas dissolva o que sobrou. Poeira. Fragmentos. Restos de restos.
Mas de repente, as ondas recuaram e então pude enxergar além do óbvio. Pude perceber que a raiva, tão poderosa, se traiu. Ao invés de me cegar e não permitir que visse a simplicidade das coisas, me ajudou a encontrar um ponto de canalização. E qual foi este ponto? O fato de olhar para mim mesmo e perceber que não sou eu o perdido. Não sou eu quem conta grãos no litoral, como se buscasse a si mesmo. Tão pequeno.
Basta saber lidar com o mar e saber que ele está cheio de possibilidades. Um dia a maré sobe, no outro...
quarta-feira, 15 de junho de 2011
No peito, o universo
As palavras estão acabando. E o entendimento nunca chega. Sem compreensão sobre minha própria existência, passo a ter dificuldade em aceitar o fato de que me considero apenas um fragmento perdido no espelho estilhaçado. Me recuso, e essa é a minha doença crônica. Recusar.
Esse universo que tomou lugar do apertado coração é grande demais. Não é vazio, pois sempre captura algo perdido com sua gravidade peculiar. Há sempre uma estrela que traz esperança e a mata segundos depois. Sua luz já está morta. Estrelas brilham mesmo depois de mortas. E ainda assim, me encanto com elas. Em outros instantes, tenho vontade de fazer parte de algum mundo particular. Ser presença exclusiva em terras que me recebam com os braços abertos e suas veias expostas. Como rios, me vejo envolvido pelas águas seguras de um amor simples e natural. Mas o meu peito é o universo, não posso fazer parte de algo em especial, pois dou o todo em que todos depositam os problemas de seus "universos particulares". Eu captalizo as vibrações e tenho a missão de levá-las para bem longe desses planetas que, mesmo pequenos e turbulentos, dão cor à imensidão escura que sustenta meu ser.
Tais palavras não refletem uma tristeza profunda e fúnebre. Abandonei os estereótipos em torno de termos como "escuridão", "vazio", "silêncio". Ao lidar com estes elementos, percebi que é possível se adaptar e, principalmente, ouvir-se, ver-se e completar-se. Meu peito e seu universo em constante expansão cobram muito da mente. Cobram do corpo, cobram de tudo. Sugam. E eu vivo apenas para alimetá-los.
Um universo... gosto assim. Um coração é pouco para tudo o que sinto.
Esse universo que tomou lugar do apertado coração é grande demais. Não é vazio, pois sempre captura algo perdido com sua gravidade peculiar. Há sempre uma estrela que traz esperança e a mata segundos depois. Sua luz já está morta. Estrelas brilham mesmo depois de mortas. E ainda assim, me encanto com elas. Em outros instantes, tenho vontade de fazer parte de algum mundo particular. Ser presença exclusiva em terras que me recebam com os braços abertos e suas veias expostas. Como rios, me vejo envolvido pelas águas seguras de um amor simples e natural. Mas o meu peito é o universo, não posso fazer parte de algo em especial, pois dou o todo em que todos depositam os problemas de seus "universos particulares". Eu captalizo as vibrações e tenho a missão de levá-las para bem longe desses planetas que, mesmo pequenos e turbulentos, dão cor à imensidão escura que sustenta meu ser.
Tais palavras não refletem uma tristeza profunda e fúnebre. Abandonei os estereótipos em torno de termos como "escuridão", "vazio", "silêncio". Ao lidar com estes elementos, percebi que é possível se adaptar e, principalmente, ouvir-se, ver-se e completar-se. Meu peito e seu universo em constante expansão cobram muito da mente. Cobram do corpo, cobram de tudo. Sugam. E eu vivo apenas para alimetá-los.
Um universo... gosto assim. Um coração é pouco para tudo o que sinto.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Origens
"No começo eu não percebia. Elas ficavam rindo de longe. Depois de alguns meses, descobri que era por causa do meu peso. Evitava as aulas de educação física. Evitava usar blusas que mostrassem meus braços. Eu evitava a mim mesma, todos os dias.
Não era sozinha por completo. Tinha minhas amigas e amigos. Com eles, meu coração se enchia de alegria. Eu podia ser o que sou, rir e chorar como qualquer outra pessoa. Nunca me senti mal de verdade por ser assim. Para mim, é normal. E o que é anormal? Me pergunto todos os dias. Talvez, quando encontrar a resposta, pare de me importar com o que os outros dizem. Porque eles falam sem ter levantado tal questão a respeito si mesmos.
Me apaixonei muitas vezes. Tudo em silêncio. Só quem ouvia meus pensamentos era o coração."
___
"Ela tinha os olhos mais lindos. Eram verdes. Minha cor favorita. Fiz questão de aprender a "língua" dela, para poder elogiar aquele par de esmeraldas. Mas ela nunca quis aprender a ler meus sinais... Gostei muito dela. Tudo em silêncio".
_____
"A voz dele acalmava meu espírito. Nunca vi um rosto. Nunca vi o mundo. Nasci no escuro e minha conexão com o mundo exterior se fazia pelo silêncio. Tudo em silêncio. Todos os dias nos encontrávamos e a conversa fluía como um rio selvagem. Não tinha um caminho certo. Era possível falar de tudo, sem que os olhos julgassem o que era certo ou errado.
Ao tocar minhas mãos, ele me fez sentir as batidas fortes do coração. Ao me beijar, provou que a respiração pode se tornar algo mais forte do que qualquer frase. Nessa hora, percebi que sentir é bem melhor do que ver. Tudo em silêncio."
____
"Nós duas caminhávamos pelo parque quando avistamos aquele pequeno cão. Estava faminto e com as costelas tentando fugir do corpo. Por alguns segundos olhamos seus olhos e depois nos olhamos. Tudo em silêncio. Se o mundo nos privava do direito de ter um filho, a mãe natureza nos dava a chance de formar uma família. A nossa família.
Ali nascia Joshua, nosso primeiro filho. O amor é assim".
_____
"Fomos ao cinema e por alguns segundos tive o que tanto quis. A sensação de pertencer. Nos pequenos gestos senti que podia descansar meu corpo e ser envolvido por braços que me protegessem. Eu que tanto lutei sozinho, percebi que batalha nenhuma tem valor se ao vencer não houver um amor à espera. Tudo em silêncio. Observei quando você se foi, esperando por reticências..."
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Não era sozinha por completo. Tinha minhas amigas e amigos. Com eles, meu coração se enchia de alegria. Eu podia ser o que sou, rir e chorar como qualquer outra pessoa. Nunca me senti mal de verdade por ser assim. Para mim, é normal. E o que é anormal? Me pergunto todos os dias. Talvez, quando encontrar a resposta, pare de me importar com o que os outros dizem. Porque eles falam sem ter levantado tal questão a respeito si mesmos.
Me apaixonei muitas vezes. Tudo em silêncio. Só quem ouvia meus pensamentos era o coração."
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"Ela tinha os olhos mais lindos. Eram verdes. Minha cor favorita. Fiz questão de aprender a "língua" dela, para poder elogiar aquele par de esmeraldas. Mas ela nunca quis aprender a ler meus sinais... Gostei muito dela. Tudo em silêncio".
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"A voz dele acalmava meu espírito. Nunca vi um rosto. Nunca vi o mundo. Nasci no escuro e minha conexão com o mundo exterior se fazia pelo silêncio. Tudo em silêncio. Todos os dias nos encontrávamos e a conversa fluía como um rio selvagem. Não tinha um caminho certo. Era possível falar de tudo, sem que os olhos julgassem o que era certo ou errado.
Ao tocar minhas mãos, ele me fez sentir as batidas fortes do coração. Ao me beijar, provou que a respiração pode se tornar algo mais forte do que qualquer frase. Nessa hora, percebi que sentir é bem melhor do que ver. Tudo em silêncio."
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"Nós duas caminhávamos pelo parque quando avistamos aquele pequeno cão. Estava faminto e com as costelas tentando fugir do corpo. Por alguns segundos olhamos seus olhos e depois nos olhamos. Tudo em silêncio. Se o mundo nos privava do direito de ter um filho, a mãe natureza nos dava a chance de formar uma família. A nossa família.
Ali nascia Joshua, nosso primeiro filho. O amor é assim".
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"Fomos ao cinema e por alguns segundos tive o que tanto quis. A sensação de pertencer. Nos pequenos gestos senti que podia descansar meu corpo e ser envolvido por braços que me protegessem. Eu que tanto lutei sozinho, percebi que batalha nenhuma tem valor se ao vencer não houver um amor à espera. Tudo em silêncio. Observei quando você se foi, esperando por reticências..."
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domingo, 5 de junho de 2011
O que é
Alguns recuperam parte de si em uma música. Outros encontram nos filmes e novelas. Caminhos alternativos que são capazes de reagrupar fragmentos de si mesmo. Olhe para os olhos azuis e sentirá o perfume daquela manhã. Os olhos, sim.
Da cor da terra
Não são todas as histórias de amor que se baseiam na troca equalitária de sentimento. Livres das correntes do "gostar" pré-frabricado, alguns casos são contados apenas por uma das partes. Pois bem, eu conto.
O medo nunca será vencido. É uma doença crônica que se carrega durante toda a vida. Mas é possível ser feliz e viver com ele. O tratamento? Cada um sabe do seu. Assim que consegui fazer com que os meus temores não me impedissem de sorrir, encontrei seu olhar, ali. Da cor da terra. Minha base, meu chão.
Bastaram poucos dias para que o universo se transformasse em dois pedaços do céu. As palavras saiam mudas. O encanto estava em observar você me observar. Era como ler mais sobre mim mesmo, interpretado por outro alguém. Eu me tornava poesia naqueles olhos castanhos.
Agora não me importa se esse sentimento vai ou não virar algo para ser lembrado. Eu já lembro. Todos os dias. Me sinto vivo.
Assim, vejo as cores nos dias mais comuns. E nada mais é tão dissaturado assim.
O que é? O que somos? O que sou? Invisível. Invisíveis. Completamente invisível.
Da cor da terra
Não são todas as histórias de amor que se baseiam na troca equalitária de sentimento. Livres das correntes do "gostar" pré-frabricado, alguns casos são contados apenas por uma das partes. Pois bem, eu conto.
O medo nunca será vencido. É uma doença crônica que se carrega durante toda a vida. Mas é possível ser feliz e viver com ele. O tratamento? Cada um sabe do seu. Assim que consegui fazer com que os meus temores não me impedissem de sorrir, encontrei seu olhar, ali. Da cor da terra. Minha base, meu chão.
Bastaram poucos dias para que o universo se transformasse em dois pedaços do céu. As palavras saiam mudas. O encanto estava em observar você me observar. Era como ler mais sobre mim mesmo, interpretado por outro alguém. Eu me tornava poesia naqueles olhos castanhos.
Agora não me importa se esse sentimento vai ou não virar algo para ser lembrado. Eu já lembro. Todos os dias. Me sinto vivo.
Assim, vejo as cores nos dias mais comuns. E nada mais é tão dissaturado assim.
O que é? O que somos? O que sou? Invisível. Invisíveis. Completamente invisível.
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