Eu abandono a mim mesmo e faço questão de redesenhar o mundo sem os traços de Deus. É quando reclamo meu direito de herdeiro do paraíso e guardo um lugar para nós. O momento exato em que consigo enxergar o que há de semelhante entre o céu e o inferno.
Faço um mar só para nós, onde as conchas cantam todas as canções que fazem nossos corações selvagens pulsarem... Nele, busco a profundidade do "sentir",então sem nome, faço o coração adoecer e o ensino a respeitar a paciência. No instante em que o infinito foi finito e no canto das extremidades não regulares foi regular, encontrei seu sorriso solitário e o fiz companhia. Eram dois sorrisos buscando um terceiro rosto para cortar. Eu sempre apostei na nossa falta de linearidade. Quase como um corte na face da modelo perfeita.
Empatia te faz entender. Se parece tudo muito confuso, use-a. Ponha-se no meu lugar e então faça questão de compreender. É como rebobinar uma fita dez vezes para decorar todas as falas... Sabe?
O corpo mal educado dança conforme a sua própria música. Canta a letra que lhe convém e então seduz outros corpos incapazes de trilhar o que lhes foi prescrito. Confortável mesmo é deitar na cama do outro, desarrumá-la e então acordar como se nada tivesse acontecido. Confortável é negar o beijo como se ele não tivesse acontecido. Mas veja, minhas palavras não entregam aquele momento único que vivemos. Quem o abriga é a vaga memória do dia no qual o corpo e a mente finalmente encontraram uma trégua. O que importa mesmo é saber que você estava lá. E que nossas almas se conectaram.
Quantas vezes tomei a guerra como filha única e matei qualquer pretendente que tentasse mudar a história? Ou melhor, a nossa história. Como pai, fui cego e manipulado. Preferi honrar algo invisível do que manter em vigor o que me era tangível. Todas as religiões me perdoaram, afinal sou pai. Mereço o sol. Mereço o direito de errar e não pedir desculpas. Meus filhos nunca ouviram isso e me orgulho de tê-los educado assim. Só a lua conhece a verdade.
Enquanto o dia encanta as ações, somente à noite é que encontramos espaço para exercer o lado "humano". Se os dedos dançam através das frases postadas em um Facebook, o coração chora insatisfeito. Se as risadas são esteticamente bem digitadas, o sorriso desaparece em instantes. Mas viver nessa frustração crônica não é como declarar a própria pena de morte. Através de códigos binários, todos somos iguais pelo zero e um, mas diferentes pelo uso exagerado da repetição. Se Apolo deu certo como deus do sol, Éris não precisa abandonar seu pomar dourado no intuito de ser convidada para a festa de Páris e sua amada. Concorda?
Vivemos hoje o que foi negado e abominado no passado. Vivemos hoje o que tínhamos que ter vivido ontem. Veja, não adianta, a história precisa ser escrita. Os leitores de hoje são os censurados de ontem. Os escritores de hoje nada mais são do que os inconformados de ontem.
O álcool escorre pela mesa assim como o sangue escorre pelo braço. Se a fuga não está nos amigos e família e nem mesmo nas toxinas, então que se faça útil o tempo em que estive isolado, escutando aos mesmos discos, milhares de vezes. Que eu mesmo não seja tão fraco ao ponto de eliminar todas as chances de fugir. O que procuramos todos os dias são as saídas. São os momentos em que alguém se responsabiliza pelos nossos erros. E se não houver ninguém, que pelo menos nos levem a sério. Pois se hoje somos os drogados e bêbados derrotados, amanhã seremos os conselheiros que ensinam o caminho para fora da escuridão. Por mais perdido que eu pareça ser, no fundo, sou reflexo daquilo que você sonha todos os dias em ser. Livre, para errar e acertar. Nem tudo se resume no "vencer".
ERROS DE PORTUGUÊS EXISTEM.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Além da cegueira
Controlar a raiva... Segurar o choro... Forçar um sorriso... Apertar a mão com pouca força... E quando só nos resta sentir? Nem sempre conseguimos censurar o que há de pior/melhor em nossa essência.
Sempre tive fortes ondas de raiva que destruíam os castelos de areia feitos pela razão. Não me importava com a complexidade das paredes ou os detalhes na escadaria. Era areia e devia ser derrubada. Devia voltar a sua forma homogênea e sem definição. Sem razão, sem pontas, sem forma. É isso, a raiva quer isso de mim. Quer que eu não me reconheça e apenas dissolva o que sobrou. Poeira. Fragmentos. Restos de restos.
Mas de repente, as ondas recuaram e então pude enxergar além do óbvio. Pude perceber que a raiva, tão poderosa, se traiu. Ao invés de me cegar e não permitir que visse a simplicidade das coisas, me ajudou a encontrar um ponto de canalização. E qual foi este ponto? O fato de olhar para mim mesmo e perceber que não sou eu o perdido. Não sou eu quem conta grãos no litoral, como se buscasse a si mesmo. Tão pequeno.
Basta saber lidar com o mar e saber que ele está cheio de possibilidades. Um dia a maré sobe, no outro...
Sempre tive fortes ondas de raiva que destruíam os castelos de areia feitos pela razão. Não me importava com a complexidade das paredes ou os detalhes na escadaria. Era areia e devia ser derrubada. Devia voltar a sua forma homogênea e sem definição. Sem razão, sem pontas, sem forma. É isso, a raiva quer isso de mim. Quer que eu não me reconheça e apenas dissolva o que sobrou. Poeira. Fragmentos. Restos de restos.
Mas de repente, as ondas recuaram e então pude enxergar além do óbvio. Pude perceber que a raiva, tão poderosa, se traiu. Ao invés de me cegar e não permitir que visse a simplicidade das coisas, me ajudou a encontrar um ponto de canalização. E qual foi este ponto? O fato de olhar para mim mesmo e perceber que não sou eu o perdido. Não sou eu quem conta grãos no litoral, como se buscasse a si mesmo. Tão pequeno.
Basta saber lidar com o mar e saber que ele está cheio de possibilidades. Um dia a maré sobe, no outro...
quarta-feira, 15 de junho de 2011
No peito, o universo
As palavras estão acabando. E o entendimento nunca chega. Sem compreensão sobre minha própria existência, passo a ter dificuldade em aceitar o fato de que me considero apenas um fragmento perdido no espelho estilhaçado. Me recuso, e essa é a minha doença crônica. Recusar.
Esse universo que tomou lugar do apertado coração é grande demais. Não é vazio, pois sempre captura algo perdido com sua gravidade peculiar. Há sempre uma estrela que traz esperança e a mata segundos depois. Sua luz já está morta. Estrelas brilham mesmo depois de mortas. E ainda assim, me encanto com elas. Em outros instantes, tenho vontade de fazer parte de algum mundo particular. Ser presença exclusiva em terras que me recebam com os braços abertos e suas veias expostas. Como rios, me vejo envolvido pelas águas seguras de um amor simples e natural. Mas o meu peito é o universo, não posso fazer parte de algo em especial, pois dou o todo em que todos depositam os problemas de seus "universos particulares". Eu captalizo as vibrações e tenho a missão de levá-las para bem longe desses planetas que, mesmo pequenos e turbulentos, dão cor à imensidão escura que sustenta meu ser.
Tais palavras não refletem uma tristeza profunda e fúnebre. Abandonei os estereótipos em torno de termos como "escuridão", "vazio", "silêncio". Ao lidar com estes elementos, percebi que é possível se adaptar e, principalmente, ouvir-se, ver-se e completar-se. Meu peito e seu universo em constante expansão cobram muito da mente. Cobram do corpo, cobram de tudo. Sugam. E eu vivo apenas para alimetá-los.
Um universo... gosto assim. Um coração é pouco para tudo o que sinto.
Esse universo que tomou lugar do apertado coração é grande demais. Não é vazio, pois sempre captura algo perdido com sua gravidade peculiar. Há sempre uma estrela que traz esperança e a mata segundos depois. Sua luz já está morta. Estrelas brilham mesmo depois de mortas. E ainda assim, me encanto com elas. Em outros instantes, tenho vontade de fazer parte de algum mundo particular. Ser presença exclusiva em terras que me recebam com os braços abertos e suas veias expostas. Como rios, me vejo envolvido pelas águas seguras de um amor simples e natural. Mas o meu peito é o universo, não posso fazer parte de algo em especial, pois dou o todo em que todos depositam os problemas de seus "universos particulares". Eu captalizo as vibrações e tenho a missão de levá-las para bem longe desses planetas que, mesmo pequenos e turbulentos, dão cor à imensidão escura que sustenta meu ser.
Tais palavras não refletem uma tristeza profunda e fúnebre. Abandonei os estereótipos em torno de termos como "escuridão", "vazio", "silêncio". Ao lidar com estes elementos, percebi que é possível se adaptar e, principalmente, ouvir-se, ver-se e completar-se. Meu peito e seu universo em constante expansão cobram muito da mente. Cobram do corpo, cobram de tudo. Sugam. E eu vivo apenas para alimetá-los.
Um universo... gosto assim. Um coração é pouco para tudo o que sinto.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Origens
"No começo eu não percebia. Elas ficavam rindo de longe. Depois de alguns meses, descobri que era por causa do meu peso. Evitava as aulas de educação física. Evitava usar blusas que mostrassem meus braços. Eu evitava a mim mesma, todos os dias.
Não era sozinha por completo. Tinha minhas amigas e amigos. Com eles, meu coração se enchia de alegria. Eu podia ser o que sou, rir e chorar como qualquer outra pessoa. Nunca me senti mal de verdade por ser assim. Para mim, é normal. E o que é anormal? Me pergunto todos os dias. Talvez, quando encontrar a resposta, pare de me importar com o que os outros dizem. Porque eles falam sem ter levantado tal questão a respeito si mesmos.
Me apaixonei muitas vezes. Tudo em silêncio. Só quem ouvia meus pensamentos era o coração."
___
"Ela tinha os olhos mais lindos. Eram verdes. Minha cor favorita. Fiz questão de aprender a "língua" dela, para poder elogiar aquele par de esmeraldas. Mas ela nunca quis aprender a ler meus sinais... Gostei muito dela. Tudo em silêncio".
_____
"A voz dele acalmava meu espírito. Nunca vi um rosto. Nunca vi o mundo. Nasci no escuro e minha conexão com o mundo exterior se fazia pelo silêncio. Tudo em silêncio. Todos os dias nos encontrávamos e a conversa fluía como um rio selvagem. Não tinha um caminho certo. Era possível falar de tudo, sem que os olhos julgassem o que era certo ou errado.
Ao tocar minhas mãos, ele me fez sentir as batidas fortes do coração. Ao me beijar, provou que a respiração pode se tornar algo mais forte do que qualquer frase. Nessa hora, percebi que sentir é bem melhor do que ver. Tudo em silêncio."
____
"Nós duas caminhávamos pelo parque quando avistamos aquele pequeno cão. Estava faminto e com as costelas tentando fugir do corpo. Por alguns segundos olhamos seus olhos e depois nos olhamos. Tudo em silêncio. Se o mundo nos privava do direito de ter um filho, a mãe natureza nos dava a chance de formar uma família. A nossa família.
Ali nascia Joshua, nosso primeiro filho. O amor é assim".
_____
"Fomos ao cinema e por alguns segundos tive o que tanto quis. A sensação de pertencer. Nos pequenos gestos senti que podia descansar meu corpo e ser envolvido por braços que me protegessem. Eu que tanto lutei sozinho, percebi que batalha nenhuma tem valor se ao vencer não houver um amor à espera. Tudo em silêncio. Observei quando você se foi, esperando por reticências..."
_____
Não era sozinha por completo. Tinha minhas amigas e amigos. Com eles, meu coração se enchia de alegria. Eu podia ser o que sou, rir e chorar como qualquer outra pessoa. Nunca me senti mal de verdade por ser assim. Para mim, é normal. E o que é anormal? Me pergunto todos os dias. Talvez, quando encontrar a resposta, pare de me importar com o que os outros dizem. Porque eles falam sem ter levantado tal questão a respeito si mesmos.
Me apaixonei muitas vezes. Tudo em silêncio. Só quem ouvia meus pensamentos era o coração."
___
"Ela tinha os olhos mais lindos. Eram verdes. Minha cor favorita. Fiz questão de aprender a "língua" dela, para poder elogiar aquele par de esmeraldas. Mas ela nunca quis aprender a ler meus sinais... Gostei muito dela. Tudo em silêncio".
_____
"A voz dele acalmava meu espírito. Nunca vi um rosto. Nunca vi o mundo. Nasci no escuro e minha conexão com o mundo exterior se fazia pelo silêncio. Tudo em silêncio. Todos os dias nos encontrávamos e a conversa fluía como um rio selvagem. Não tinha um caminho certo. Era possível falar de tudo, sem que os olhos julgassem o que era certo ou errado.
Ao tocar minhas mãos, ele me fez sentir as batidas fortes do coração. Ao me beijar, provou que a respiração pode se tornar algo mais forte do que qualquer frase. Nessa hora, percebi que sentir é bem melhor do que ver. Tudo em silêncio."
____
"Nós duas caminhávamos pelo parque quando avistamos aquele pequeno cão. Estava faminto e com as costelas tentando fugir do corpo. Por alguns segundos olhamos seus olhos e depois nos olhamos. Tudo em silêncio. Se o mundo nos privava do direito de ter um filho, a mãe natureza nos dava a chance de formar uma família. A nossa família.
Ali nascia Joshua, nosso primeiro filho. O amor é assim".
_____
"Fomos ao cinema e por alguns segundos tive o que tanto quis. A sensação de pertencer. Nos pequenos gestos senti que podia descansar meu corpo e ser envolvido por braços que me protegessem. Eu que tanto lutei sozinho, percebi que batalha nenhuma tem valor se ao vencer não houver um amor à espera. Tudo em silêncio. Observei quando você se foi, esperando por reticências..."
_____
domingo, 5 de junho de 2011
O que é
Alguns recuperam parte de si em uma música. Outros encontram nos filmes e novelas. Caminhos alternativos que são capazes de reagrupar fragmentos de si mesmo. Olhe para os olhos azuis e sentirá o perfume daquela manhã. Os olhos, sim.
Da cor da terra
Não são todas as histórias de amor que se baseiam na troca equalitária de sentimento. Livres das correntes do "gostar" pré-frabricado, alguns casos são contados apenas por uma das partes. Pois bem, eu conto.
O medo nunca será vencido. É uma doença crônica que se carrega durante toda a vida. Mas é possível ser feliz e viver com ele. O tratamento? Cada um sabe do seu. Assim que consegui fazer com que os meus temores não me impedissem de sorrir, encontrei seu olhar, ali. Da cor da terra. Minha base, meu chão.
Bastaram poucos dias para que o universo se transformasse em dois pedaços do céu. As palavras saiam mudas. O encanto estava em observar você me observar. Era como ler mais sobre mim mesmo, interpretado por outro alguém. Eu me tornava poesia naqueles olhos castanhos.
Agora não me importa se esse sentimento vai ou não virar algo para ser lembrado. Eu já lembro. Todos os dias. Me sinto vivo.
Assim, vejo as cores nos dias mais comuns. E nada mais é tão dissaturado assim.
O que é? O que somos? O que sou? Invisível. Invisíveis. Completamente invisível.
Da cor da terra
Não são todas as histórias de amor que se baseiam na troca equalitária de sentimento. Livres das correntes do "gostar" pré-frabricado, alguns casos são contados apenas por uma das partes. Pois bem, eu conto.
O medo nunca será vencido. É uma doença crônica que se carrega durante toda a vida. Mas é possível ser feliz e viver com ele. O tratamento? Cada um sabe do seu. Assim que consegui fazer com que os meus temores não me impedissem de sorrir, encontrei seu olhar, ali. Da cor da terra. Minha base, meu chão.
Bastaram poucos dias para que o universo se transformasse em dois pedaços do céu. As palavras saiam mudas. O encanto estava em observar você me observar. Era como ler mais sobre mim mesmo, interpretado por outro alguém. Eu me tornava poesia naqueles olhos castanhos.
Agora não me importa se esse sentimento vai ou não virar algo para ser lembrado. Eu já lembro. Todos os dias. Me sinto vivo.
Assim, vejo as cores nos dias mais comuns. E nada mais é tão dissaturado assim.
O que é? O que somos? O que sou? Invisível. Invisíveis. Completamente invisível.
domingo, 29 de maio de 2011
The lights to find h...
Ficou tudo nos discos. Cada faixa revive um pedaço do que fui e ainda insisto em ser. A música substituiu o sangue. O álcool substitui a razão. Você substitui a si mesmo. Anula-se diante de mim.
Trinta vocalistas, 60 guitarras, 30 bateristas, poucos baixistas. Escravos dos meus devaneios e nostalgia. Rezam todos os dias para que eu os escolha. São apaixonados pelos meus ouvidos. Poucos atingem o coração. Normal, hoje em dia é assim em quase todos os (des)casos.
Idioma é detalhe. Letras pouco importam. Sempre me apropriei das melodias. São elas que dialogam comigo. O que o compositor tem a dizer pouco me importa. Egocentrismo pede licença. Egocentrismo pouco se importa com direitos autorais. Copy my sins, you have the rights.
Agora eu sei por que Deus não destrói logo toda essa porra. Em cada humano ele vê a sua própria droga. A sua catarse. A sua chance de errar sem ser julgado. A sua chance de sorrir mesmo com tantos problemas. Deus é viciado nos humanos. Sim, nós somos a droga mais potente. Matamos Deus lentamente.
Trinta vocalistas, 60 guitarras, 30 bateristas, poucos baixistas. Escravos dos meus devaneios e nostalgia. Rezam todos os dias para que eu os escolha. São apaixonados pelos meus ouvidos. Poucos atingem o coração. Normal, hoje em dia é assim em quase todos os (des)casos.
Idioma é detalhe. Letras pouco importam. Sempre me apropriei das melodias. São elas que dialogam comigo. O que o compositor tem a dizer pouco me importa. Egocentrismo pede licença. Egocentrismo pouco se importa com direitos autorais. Copy my sins, you have the rights.
Agora eu sei por que Deus não destrói logo toda essa porra. Em cada humano ele vê a sua própria droga. A sua catarse. A sua chance de errar sem ser julgado. A sua chance de sorrir mesmo com tantos problemas. Deus é viciado nos humanos. Sim, nós somos a droga mais potente. Matamos Deus lentamente.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
This time, no love is what I need

No love. That's what I need. That's what I asked for the first God I saw. Can you imagine yourself waking up every fucking day and praying not to fall in love? No, You can't. The World celebrates your relationship while it spits on my face for being such an odd guy. This time no love is what I need, you see?
Turning up the sound is a good way to suffocate the heart beats. Silence the beats and try just do listen your own thoughts. It sounds perfect, right? Then wait until your whole family sleep to open that bottle. Another way to suffocate the junk of the heart. This time no love is what I need.
But I want you to want mine.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
O jornalismo que ninguém lê
Sempre que começava um novo semestre, algum professor arriscava a mesma pergunta: “Por que escolheu o jornalismo?”. Respostas clichês à parte, o que faltava nas explicações era aquela sinceridade ousada e espontânea. De aluno em aluno, o professor se desinteressava pelo o que era dito, talvez por também não saber responder a tal pergunta. Talvez, por arrependimento.
Ao longo dos anos, o fantasma que perseguia esta questão assombrou meus pensamentos, meus textos e minhas entrevistas. Minha mãe costumava dizer que eu era uma criança muito quieta e pensativa. Alguns familiares arriscavam autismo. Meu pai nunca dizia nada. Meu irmão me achava estranho. Ainda assim, o amor permaneceu. Nos momentos que passei abraçado à minha essência, tecia histórias e construía possibilidades. O mundo não era desinteressante e eu não odiava as pessoas. Apenas gostava de criar meus próprios roteiros, ainda que não soubesse o que significava essa palavra. Escrevia sem saber escrever.
Anos e anos acumulando folhas e o jornalismo não surgiu como único caminho. Pensei em fazer biologia, psicologia e pediatria – para poder me vingar dos filhos dos médicos que me receitavam injeções. Entrei no curso sem ter uma resposta ensaiada. Eu gostava de escrever. Hoje percebo que isso não tem muito a ver com minha graduação. O meu “escrever” ainda desconhece muitas palavras e regras seguidas pelos grandes jornalistas. É um “escrever” analfabeto e feliz. Mas toda felicidade dura pouco.
Aprender é um processo lento e delicado. Uma relação complexa onde os sentimentos se rompem com uma simples vírgula. Formatar minha escrita, padronizar minha introdução e diminuir minhas frases foi como domar um cavalo. Tirar um peixe dourado do mar e colocá-lo no aquário da sala. Dar um jantar para os amigos jornalistas e exibir o troféu roubado de Poseidon. Resisti ao máximo e consegui seguir a lógica coorporativa. O verbo “conseguir” não veio seguido do sabor da vitória. Consegui me trair. Entreguei meus cavalos a fazendeiros frustrados e meus peixes dourados viraram notas no boletim. Números quebrados. Nada mais característico.
No último dia 16 de maio foi o “Dia do Gari”. Algum jornal ou site deve ter dado uma nota sobre. Pegam a forma básica de algo publicado no ano passado - ou no século passado - e enaltecem, com muita falsidade, a profissão sem respeitar o profissional. Muito mais do que o “Dia do Gari”, a data também deveria permitir que o João falasse dos seus sonhos, que a Rita dissesse o que pensa sobre as ruas, que o José, tão conhecido por todos, falasse um pouco sobre música, futebol ou qualquer coisa que compensasse a dura jornada de trabalho. Mas esse é o jornalismo que ninguém lê, ainda que muitos escrevam.
Não posso terminar esse texto sem citar o livro que me fez devolver ao mar os peixes roubados do meu oceano de ideias. “A vida que ninguém vê”, da jornalista Eliane Brum, explora as áreas mais temidas do jornalismo. Com simplicidade e interesse verdadeiro – não aquele que quer saber apenas de prestígio e elogio por parte dos colegas de trabalho – ela tece uma colcha de histórias onde as diferenças sociais são detalhes. A vida que não se vê é justamente aquela que, por um dia, mês ou ano, vivemos ou viveremos. São fragmentos do desconhecido que amedrontam nossas casas e escritórios. Desconhecer o que vem depois ou o que pode acontecer com nossos destinos. Palavras de efeito defeituoso ou ambíguo. Que não percam seu valor, mas ao menos se permitam cair em contradição. Conte ao povo algo sobre o povo, alguma coisa desse tipo.
O jornalismo que ninguém lê é justamente o que me encanta. É o que carrego nas mãos que ainda estranham muitas palavras. É um jornalismo que nasce da essência tímida e inquieta. Ele quer ouvir. Quer saber. Conhecer. E não ser egoísta. Quer contar. Quer ser compreendido e não apenas lido. Minha avó não sabia ler com maestria. Mas escreveu com traços invisíveis a única palavra que lhe deu força durante toda a vida: amor.
Ao longo dos anos, o fantasma que perseguia esta questão assombrou meus pensamentos, meus textos e minhas entrevistas. Minha mãe costumava dizer que eu era uma criança muito quieta e pensativa. Alguns familiares arriscavam autismo. Meu pai nunca dizia nada. Meu irmão me achava estranho. Ainda assim, o amor permaneceu. Nos momentos que passei abraçado à minha essência, tecia histórias e construía possibilidades. O mundo não era desinteressante e eu não odiava as pessoas. Apenas gostava de criar meus próprios roteiros, ainda que não soubesse o que significava essa palavra. Escrevia sem saber escrever.
Anos e anos acumulando folhas e o jornalismo não surgiu como único caminho. Pensei em fazer biologia, psicologia e pediatria – para poder me vingar dos filhos dos médicos que me receitavam injeções. Entrei no curso sem ter uma resposta ensaiada. Eu gostava de escrever. Hoje percebo que isso não tem muito a ver com minha graduação. O meu “escrever” ainda desconhece muitas palavras e regras seguidas pelos grandes jornalistas. É um “escrever” analfabeto e feliz. Mas toda felicidade dura pouco.
Aprender é um processo lento e delicado. Uma relação complexa onde os sentimentos se rompem com uma simples vírgula. Formatar minha escrita, padronizar minha introdução e diminuir minhas frases foi como domar um cavalo. Tirar um peixe dourado do mar e colocá-lo no aquário da sala. Dar um jantar para os amigos jornalistas e exibir o troféu roubado de Poseidon. Resisti ao máximo e consegui seguir a lógica coorporativa. O verbo “conseguir” não veio seguido do sabor da vitória. Consegui me trair. Entreguei meus cavalos a fazendeiros frustrados e meus peixes dourados viraram notas no boletim. Números quebrados. Nada mais característico.
No último dia 16 de maio foi o “Dia do Gari”. Algum jornal ou site deve ter dado uma nota sobre. Pegam a forma básica de algo publicado no ano passado - ou no século passado - e enaltecem, com muita falsidade, a profissão sem respeitar o profissional. Muito mais do que o “Dia do Gari”, a data também deveria permitir que o João falasse dos seus sonhos, que a Rita dissesse o que pensa sobre as ruas, que o José, tão conhecido por todos, falasse um pouco sobre música, futebol ou qualquer coisa que compensasse a dura jornada de trabalho. Mas esse é o jornalismo que ninguém lê, ainda que muitos escrevam.
Não posso terminar esse texto sem citar o livro que me fez devolver ao mar os peixes roubados do meu oceano de ideias. “A vida que ninguém vê”, da jornalista Eliane Brum, explora as áreas mais temidas do jornalismo. Com simplicidade e interesse verdadeiro – não aquele que quer saber apenas de prestígio e elogio por parte dos colegas de trabalho – ela tece uma colcha de histórias onde as diferenças sociais são detalhes. A vida que não se vê é justamente aquela que, por um dia, mês ou ano, vivemos ou viveremos. São fragmentos do desconhecido que amedrontam nossas casas e escritórios. Desconhecer o que vem depois ou o que pode acontecer com nossos destinos. Palavras de efeito defeituoso ou ambíguo. Que não percam seu valor, mas ao menos se permitam cair em contradição. Conte ao povo algo sobre o povo, alguma coisa desse tipo.
O jornalismo que ninguém lê é justamente o que me encanta. É o que carrego nas mãos que ainda estranham muitas palavras. É um jornalismo que nasce da essência tímida e inquieta. Ele quer ouvir. Quer saber. Conhecer. E não ser egoísta. Quer contar. Quer ser compreendido e não apenas lido. Minha avó não sabia ler com maestria. Mas escreveu com traços invisíveis a única palavra que lhe deu força durante toda a vida: amor.
domingo, 15 de maio de 2011
Ser
"A casa precisava mesmo de uma reforma. Os quadros com desenhos sem sentido não cobriam mais os buracos e manchas das paredes. Também foi uma forma que encontramos de fazer algo juntos. O tempo anda curto e nossos humores também. Dois segundos e eles se vão. Colocar roupas velhas, prender o cabelo, escolher o melhor pincel e perceber que ele não vai te servir de nada. Ser um casal, simples assim.
Observei seu traço leve. A trilha que fez com as mãos e que, com toda a graça de alguém que não nasceu para as artes, ousou ao atravessar de um canto para outro. Foi muito parecido com o sorriso que meu deu, quando nos conhecemos. Ousadia que me conquistou, vale admitir nesse momento. Não fiquei para trás. Persegui seus movimentos e penetrei na essência da sua leveza. Como você me disse uma vez, "Foi assim que me conquistou, como um cego, conseguiu me ver como de fato sou". Ao trabalho. Completamos a primeira parede em silêncio, mas com pequenas gotas de tinta espirrando no braço um do outro. Tocávamos-nos assim. Ser discreto sem esqueCER como se diz "estou aqui, viu?".
Durante horas, me lembrei de como tudo deu tão certo, a ponto de ter se tornado insuportável. Você decifrou meu silêncio desde o começo, uma vez que era o olhar quem ditava as regras. Não se importava com os dias em que eu optava por dizer poucas palavras, desde que no meio delas estivesse alguma que expressasse o amor que sentia. Interpretava meu corpo e dançava com suas necessidades. De fato, você tem o dom. Enquanto metade de uma nova parede era preenchida com cor, eu sorria internamente e até arriscaria uma lágrima, se não fosse tão "eu". Dessa vez era você quem me observava. Ser eu mesmo, só com você. Ser nós.
Fui buscar mais tinta e percebi que você voltava da cozinha com algo escondido dentro de uma sacola. Acreditei que fosse algo para comer, não me importei. No caminho para o quarto, vi nossas fotos pelo corredor. Eram como flores num jardim. As memórias perfumadas seduziam minha mente e a boca salivava com o néctar dos frutos que nosso amor colheu. Lembrei dos longos invernos, onde tudo parecia morrer e secar. Toda vez que o fim se aproximava, nós buscávamos o último graveto no quintal e com ele fazíamos uma pequena fogueira. Aquecíamos nossos corações. Com mais uma galão de tinta, retornei para a sala.
Você segurava um pincel diferente, molhado com tinta vermelha. Caminhou na minha direção e sem dizer uma palavra molhou minha mão com o pigmento da paixão. Como se caminhássemos rumo ao altar, você segurou nossas mãos juntas e estampou ambas as palmas naquele espaço infinito. Casamos ali. Ser um só, no momento em que eu mais precisava. O vermelho dali era mais forte que o sangue.
Se for para ser, tem que ser mais forte do que o sangue.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Eu te sinto todos os dias mesmo sem te conhecer. É assim, não controlo.
Talvez esta seja a motivação para levantar e enfrentar a rotina. Lidar com o desconhecido e imprevisível é flertar com a possibilidade de te encontrar. Às vezes, olho para certas pessoas e quase sinto você. Logo depois o sentimento se vai e então percebo que estava errado.
Como é possível viver assim? Eu tenho um forte sentimento que condicionado meu humor, minhas atividades e até mesmo as relações que estão ao meu alcance. Ainda assim, opto por você, espero por alguém que nem sei se existe de fato. Gosto de imaginar nós dois e desenho na minha mente seu sorriso.
O sentimento sem nome me envolve a cada filme, o que me faz colher de cada personagem um pouco de você e muito de nós. Só o mar poderia nos separar, nem o tempo, nem o espaço. Só o mar.
Quantas cartas já te escrevi? Quantas vezes sonhei com seu abraço? E acordei numa realidade penosa e desinteressante, onde as pessoas são coadjuvantes na nossa história. Eles nunca vão entender. Eu sinto e respeito isso. Sempre senti tanta coisa, em silêncio, e respeitei cada fase.
Você está nas músicas.
Você está nas letras.
Você está nos meus textos.
Você está nos meus sonhos.
Você está no cheiro da chuva.
Você está em mim,
Mas eu ainda não te encontrei. Não estou em você.
E eu já não aguento mais esperar, mas espero. "Por você, eu faria mil vezes".
(...)
Me olhava profundamente, como se analisasse minha essência, na busca por uma explicação. As ondas batiam em nossos pés e uma brisa leve e morna acariciava meu pescoço. O castanho dos teus olhos refletia o alaranjado do pôr-do-sol e eu me perdia naquele horizonte. Você é meu horizonte. Dois passos mais perto de você são também dois passos de distância entre nós. Isso nos faz viver e sempre buscar o outro. Somos intocáveis e dançamos abraçados sem nos importarmos com isso. O toque invisível de aquece a alma e o corpo.
Pegou na minha mão e colocou-a em seu coração. A areia parecia nos aconchegar e assim ficamos. Não havia filme melhor do que o exibido pelas nuvens. O céu começava a escurecer e as primeiras estrelas apareciam. Eu já não sabia mais se queria voltar e você era o motivo da indecisão.
Dormi protegido pelo seu amor. Acariciava meus cabelos e não deixava que minha alma se desprendesse daquele momento. Eu me saciava nos seus lábios e sentia no abraço a segurança da eternidade. Pra que voltar?
Estas palavras parecem exprimir uma felicidade perfeita, mas não é bem assim. Nossos defeitos garantiam a manutenção do entendimento, da compaixão e da capacidade de ceder. Éramos cúmplices nos momentos negativos e sabíamos que dor maior do que a da mentira não existia. Se eu ouvisse um "não" ao invés do "sim", me recolhia por algumas horas, refletia e depois voltava para encontrar aquele olhar que guiava meu coração. Quando você esperava de mim o amor maior e tinha em troca apenas minha presença - em silêncio - compreendia que eu estava num momento de individualidade e logo voltaria. Deitava sua cabeça sobre o meu peito e ouvia do meu coração as mais belas declarações.
Amor.
(...)
Talvez esta seja a motivação para levantar e enfrentar a rotina. Lidar com o desconhecido e imprevisível é flertar com a possibilidade de te encontrar. Às vezes, olho para certas pessoas e quase sinto você. Logo depois o sentimento se vai e então percebo que estava errado.
Como é possível viver assim? Eu tenho um forte sentimento que condicionado meu humor, minhas atividades e até mesmo as relações que estão ao meu alcance. Ainda assim, opto por você, espero por alguém que nem sei se existe de fato. Gosto de imaginar nós dois e desenho na minha mente seu sorriso.
O sentimento sem nome me envolve a cada filme, o que me faz colher de cada personagem um pouco de você e muito de nós. Só o mar poderia nos separar, nem o tempo, nem o espaço. Só o mar.
Quantas cartas já te escrevi? Quantas vezes sonhei com seu abraço? E acordei numa realidade penosa e desinteressante, onde as pessoas são coadjuvantes na nossa história. Eles nunca vão entender. Eu sinto e respeito isso. Sempre senti tanta coisa, em silêncio, e respeitei cada fase.
Você está nas músicas.
Você está nas letras.
Você está nos meus textos.
Você está nos meus sonhos.
Você está no cheiro da chuva.
Você está em mim,
Mas eu ainda não te encontrei. Não estou em você.
E eu já não aguento mais esperar, mas espero. "Por você, eu faria mil vezes".
(...)
Me olhava profundamente, como se analisasse minha essência, na busca por uma explicação. As ondas batiam em nossos pés e uma brisa leve e morna acariciava meu pescoço. O castanho dos teus olhos refletia o alaranjado do pôr-do-sol e eu me perdia naquele horizonte. Você é meu horizonte. Dois passos mais perto de você são também dois passos de distância entre nós. Isso nos faz viver e sempre buscar o outro. Somos intocáveis e dançamos abraçados sem nos importarmos com isso. O toque invisível de aquece a alma e o corpo.
Pegou na minha mão e colocou-a em seu coração. A areia parecia nos aconchegar e assim ficamos. Não havia filme melhor do que o exibido pelas nuvens. O céu começava a escurecer e as primeiras estrelas apareciam. Eu já não sabia mais se queria voltar e você era o motivo da indecisão.
Dormi protegido pelo seu amor. Acariciava meus cabelos e não deixava que minha alma se desprendesse daquele momento. Eu me saciava nos seus lábios e sentia no abraço a segurança da eternidade. Pra que voltar?
Estas palavras parecem exprimir uma felicidade perfeita, mas não é bem assim. Nossos defeitos garantiam a manutenção do entendimento, da compaixão e da capacidade de ceder. Éramos cúmplices nos momentos negativos e sabíamos que dor maior do que a da mentira não existia. Se eu ouvisse um "não" ao invés do "sim", me recolhia por algumas horas, refletia e depois voltava para encontrar aquele olhar que guiava meu coração. Quando você esperava de mim o amor maior e tinha em troca apenas minha presença - em silêncio - compreendia que eu estava num momento de individualidade e logo voltaria. Deitava sua cabeça sobre o meu peito e ouvia do meu coração as mais belas declarações.
Amor.
(...)
Assinar:
Postagens (Atom)