segunda-feira, 23 de maio de 2011

This time, no love is what I need




No love. That's what I need. That's what I asked for the first God I saw. Can you imagine yourself waking up every fucking day and praying not to fall in love? No, You can't. The World celebrates your relationship while it spits on my face for being such an odd guy. This time no love is what I need, you see?

Turning up the sound is a good way to suffocate the heart beats. Silence the beats and try just do listen your own thoughts. It sounds perfect, right? Then wait until your whole family sleep to open that bottle. Another way to suffocate the junk of the heart. This time no love is what I need.

But I want you to want mine.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

O jornalismo que ninguém lê

Sempre que começava um novo semestre, algum professor arriscava a mesma pergunta: “Por que escolheu o jornalismo?”. Respostas clichês à parte, o que faltava nas explicações era aquela sinceridade ousada e espontânea. De aluno em aluno, o professor se desinteressava pelo o que era dito, talvez por também não saber responder a tal pergunta. Talvez, por arrependimento.

Ao longo dos anos, o fantasma que perseguia esta questão assombrou meus pensamentos, meus textos e minhas entrevistas. Minha mãe costumava dizer que eu era uma criança muito quieta e pensativa. Alguns familiares arriscavam autismo. Meu pai nunca dizia nada. Meu irmão me achava estranho. Ainda assim, o amor permaneceu. Nos momentos que passei abraçado à minha essência, tecia histórias e construía possibilidades. O mundo não era desinteressante e eu não odiava as pessoas. Apenas gostava de criar meus próprios roteiros, ainda que não soubesse o que significava essa palavra. Escrevia sem saber escrever.

Anos e anos acumulando folhas e o jornalismo não surgiu como único caminho. Pensei em fazer biologia, psicologia e pediatria – para poder me vingar dos filhos dos médicos que me receitavam injeções. Entrei no curso sem ter uma resposta ensaiada. Eu gostava de escrever. Hoje percebo que isso não tem muito a ver com minha graduação. O meu “escrever” ainda desconhece muitas palavras e regras seguidas pelos grandes jornalistas. É um “escrever” analfabeto e feliz. Mas toda felicidade dura pouco.

Aprender é um processo lento e delicado. Uma relação complexa onde os sentimentos se rompem com uma simples vírgula. Formatar minha escrita, padronizar minha introdução e diminuir minhas frases foi como domar um cavalo. Tirar um peixe dourado do mar e colocá-lo no aquário da sala. Dar um jantar para os amigos jornalistas e exibir o troféu roubado de Poseidon. Resisti ao máximo e consegui seguir a lógica coorporativa. O verbo “conseguir” não veio seguido do sabor da vitória. Consegui me trair. Entreguei meus cavalos a fazendeiros frustrados e meus peixes dourados viraram notas no boletim. Números quebrados. Nada mais característico.

No último dia 16 de maio foi o “Dia do Gari”. Algum jornal ou site deve ter dado uma nota sobre. Pegam a forma básica de algo publicado no ano passado - ou no século passado - e enaltecem, com muita falsidade, a profissão sem respeitar o profissional. Muito mais do que o “Dia do Gari”, a data também deveria permitir que o João falasse dos seus sonhos, que a Rita dissesse o que pensa sobre as ruas, que o José, tão conhecido por todos, falasse um pouco sobre música, futebol ou qualquer coisa que compensasse a dura jornada de trabalho. Mas esse é o jornalismo que ninguém lê, ainda que muitos escrevam.

Não posso terminar esse texto sem citar o livro que me fez devolver ao mar os peixes roubados do meu oceano de ideias. “A vida que ninguém vê”, da jornalista Eliane Brum, explora as áreas mais temidas do jornalismo. Com simplicidade e interesse verdadeiro – não aquele que quer saber apenas de prestígio e elogio por parte dos colegas de trabalho – ela tece uma colcha de histórias onde as diferenças sociais são detalhes. A vida que não se vê é justamente aquela que, por um dia, mês ou ano, vivemos ou viveremos. São fragmentos do desconhecido que amedrontam nossas casas e escritórios. Desconhecer o que vem depois ou o que pode acontecer com nossos destinos. Palavras de efeito defeituoso ou ambíguo. Que não percam seu valor, mas ao menos se permitam cair em contradição. Conte ao povo algo sobre o povo, alguma coisa desse tipo.

O jornalismo que ninguém lê é justamente o que me encanta. É o que carrego nas mãos que ainda estranham muitas palavras. É um jornalismo que nasce da essência tímida e inquieta. Ele quer ouvir. Quer saber. Conhecer. E não ser egoísta. Quer contar. Quer ser compreendido e não apenas lido. Minha avó não sabia ler com maestria. Mas escreveu com traços invisíveis a única palavra que lhe deu força durante toda a vida: amor.

domingo, 15 de maio de 2011

Ser



"A casa precisava mesmo de uma reforma. Os quadros com desenhos sem sentido não cobriam mais os buracos e manchas das paredes. Também foi uma forma que encontramos de fazer algo juntos. O tempo anda curto e nossos humores também. Dois segundos e eles se vão. Colocar roupas velhas, prender o cabelo, escolher o melhor pincel e perceber que ele não vai te servir de nada. Ser um casal, simples assim.

Observei seu traço leve. A trilha que fez com as mãos e que, com toda a graça de alguém que não nasceu para as artes, ousou ao atravessar de um canto para outro. Foi muito parecido com o sorriso que meu deu, quando nos conhecemos. Ousadia que me conquistou, vale admitir nesse momento. Não fiquei para trás. Persegui seus movimentos e penetrei na essência da sua leveza. Como você me disse uma vez, "Foi assim que me conquistou, como um cego, conseguiu me ver como de fato sou". Ao trabalho. Completamos a primeira parede em silêncio, mas com pequenas gotas de tinta espirrando no braço um do outro. Tocávamos-nos assim. Ser discreto sem esqueCER como se diz "estou aqui, viu?".

Durante horas, me lembrei de como tudo deu tão certo, a ponto de ter se tornado insuportável. Você decifrou meu silêncio desde o começo, uma vez que era o olhar quem ditava as regras. Não se importava com os dias em que eu optava por dizer poucas palavras, desde que no meio delas estivesse alguma que expressasse o amor que sentia. Interpretava meu corpo e dançava com suas necessidades. De fato, você tem o dom. Enquanto metade de uma nova parede era preenchida com cor, eu sorria internamente e até arriscaria uma lágrima, se não fosse tão "eu". Dessa vez era você quem me observava. Ser eu mesmo, só com você. Ser nós.

Fui buscar mais tinta e percebi que você voltava da cozinha com algo escondido dentro de uma sacola. Acreditei que fosse algo para comer, não me importei. No caminho para o quarto, vi nossas fotos pelo corredor. Eram como flores num jardim. As memórias perfumadas seduziam minha mente e a boca salivava com o néctar dos frutos que nosso amor colheu. Lembrei dos longos invernos, onde tudo parecia morrer e secar. Toda vez que o fim se aproximava, nós buscávamos o último graveto no quintal e com ele fazíamos uma pequena fogueira. Aquecíamos nossos corações. Com mais uma galão de tinta, retornei para a sala.

Você segurava um pincel diferente, molhado com tinta vermelha. Caminhou na minha direção e sem dizer uma palavra molhou minha mão com o pigmento da paixão. Como se caminhássemos rumo ao altar, você segurou nossas mãos juntas e estampou ambas as palmas naquele espaço infinito. Casamos ali. Ser um só, no momento em que eu mais precisava. O vermelho dali era mais forte que o sangue.

Se for para ser, tem que ser mais forte do que o sangue.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Eu te sinto todos os dias mesmo sem te conhecer. É assim, não controlo.

Talvez esta seja a motivação para levantar e enfrentar a rotina. Lidar com o desconhecido e imprevisível é flertar com a possibilidade de te encontrar. Às vezes, olho para certas pessoas e quase sinto você. Logo depois o sentimento se vai e então percebo que estava errado.

Como é possível viver assim? Eu tenho um forte sentimento que condicionado meu humor, minhas atividades e até mesmo as relações que estão ao meu alcance. Ainda assim, opto por você, espero por alguém que nem sei se existe de fato. Gosto de imaginar nós dois e desenho na minha mente seu sorriso.

O sentimento sem nome me envolve a cada filme, o que me faz colher de cada personagem um pouco de você e muito de nós. Só o mar poderia nos separar, nem o tempo, nem o espaço. Só o mar.

Quantas cartas já te escrevi? Quantas vezes sonhei com seu abraço? E acordei numa realidade penosa e desinteressante, onde as pessoas são coadjuvantes na nossa história. Eles nunca vão entender. Eu sinto e respeito isso. Sempre senti tanta coisa, em silêncio, e respeitei cada fase.

Você está nas músicas.
Você está nas letras.
Você está nos meus textos.
Você está nos meus sonhos.
Você está no cheiro da chuva.
Você está em mim,
Mas eu ainda não te encontrei. Não estou em você.

E eu já não aguento mais esperar, mas espero. "Por você, eu faria mil vezes".

(...)

Me olhava profundamente, como se analisasse minha essência, na busca por uma explicação. As ondas batiam em nossos pés e uma brisa leve e morna acariciava meu pescoço. O castanho dos teus olhos refletia o alaranjado do pôr-do-sol e eu me perdia naquele horizonte. Você é meu horizonte. Dois passos mais perto de você são também dois passos de distância entre nós. Isso nos faz viver e sempre buscar o outro. Somos intocáveis e dançamos abraçados sem nos importarmos com isso. O toque invisível de aquece a alma e o corpo.

Pegou na minha mão e colocou-a em seu coração. A areia parecia nos aconchegar e assim ficamos. Não havia filme melhor do que o exibido pelas nuvens. O céu começava a escurecer e as primeiras estrelas apareciam. Eu já não sabia mais se queria voltar e você era o motivo da indecisão.

Dormi protegido pelo seu amor. Acariciava meus cabelos e não deixava que minha alma se desprendesse daquele momento. Eu me saciava nos seus lábios e sentia no abraço a segurança da eternidade. Pra que voltar?

Estas palavras parecem exprimir uma felicidade perfeita, mas não é bem assim. Nossos defeitos garantiam a manutenção do entendimento, da compaixão e da capacidade de ceder. Éramos cúmplices nos momentos negativos e sabíamos que dor maior do que a da mentira não existia. Se eu ouvisse um "não" ao invés do "sim", me recolhia por algumas horas, refletia e depois voltava para encontrar aquele olhar que guiava meu coração. Quando você esperava de mim o amor maior e tinha em troca apenas minha presença - em silêncio - compreendia que eu estava num momento de individualidade e logo voltaria. Deitava sua cabeça sobre o meu peito e ouvia do meu coração as mais belas declarações.

Amor.

(...)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Aqui, ninguém vai pro céu

Foram muitas páginas de um romance trágico e cheio de amor. Um amor que resistiu à balas e explosões, mas que foi sufocado com as cinzas de uma família destruída pelo ódio alheio. Durante tal jornada literária, pude sentir a cicatriz de David queimando no meu rosto. Ela fazia lembrar de todos os sonhos roubados e, principalmente, da crueldade dos seres humanos. As oliveiras ainda estão lá, se recusam a cair. As pedras são como abutres no aguardo do abraço delicado, presente do deserto que ali se forma. Cada palestino morto apagava do céu uma estrela.

Reconstruí as casas e os cheiros, as cores e os rostos dos personagens. Seu jeito de falar e a maneira de agradecer ao seu Deus eram representados na minha mente. Mesmo com tantos detalhes que deveriam me distanciar daquelas pessoas me senti igual. Semelhante, familiar, pois partilhei do elo mais forte: partilhei da sua tristeza. Chorei em silêncio, assim como choravam as mães marcadas pelo terror e sem emitir som - não queriam chamar a atenção dos algozes. O amor me tomou por alguns segundos quando a esperança renascia com uma nova criança na família. Mas a realidade não gosta de passar despercebida. Batia à porta dos alegres e depositava em seus copos uma dose pura de dor. Os sorrisos eram como flores, tinham tempo curto de vida e plenitude.

E o Deus estava surdo e cego. Era tão prisioneiro quanto os refugiados. Deus foi sequestrado há muito tempo e quem está em seu lugar é o irmão gêmeo, o Diabo. No lugar aonde o deixaram o som não entra. Os apelos não são ouvidos e os rostos dos falecidos se apresentam como sonhos, ou melhor, pesadelos. Deus está vencido, pois toda a complexidade que nós humanos aplicamos à sua existência fez dele algo distante e inalcançável, algo superior e egocêntrico. Essas características pertencem ao demônio. O humano erra e paga por isso. Ele está em tudo, menos em nós.

A areia que invade as casas resgatam as perdas. Areia de ossos, de resto de pessoas que um dia deram à terra força e vitalidade. A eterna briga por espaço esconde o fato de que todos já ocupam algum lugar. Linhas e demarcações são obsoletas se comparadas à imensidão do coração do pai que, sem opção, não pode enterrar o filho. O deserto que ali se forma, já tem pedras o bastante.

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"O dinheiro atrapalha o amor"

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Quantos foram os dias de felicidade na sua vida? Consegue se lembrar deles? Ótimo. E hoje você é feliz? Interessante, e por quais motivos se mantém assim? Ok, certo, se te faz feliz, vá em frente!

Você é contra tantas coisas, mas é incapaz de ser contra sua própria intolerância.

Sabe o significado de muitas palavras, mas se faz de analfabeto quando precisa interpretar algo fora do seu vocabulário viciado.

Dá soco, chute, cospe, berra, ameaça. Vai dormir, perde o controle da consciência e sonha que chora como uma criança faminta. Acorda e desconta as inseguranças em quem não tem mais nada a perder.

Marcaram encontro no debate sobre a Palestina e Israel. Apresentaram suas teorias e demonstraram muito conhecimento sobre o assunto. Enquanto isso, duas crianças que atiravam pedras nos escudos dos soldados levaram tiros que atravessaram bocas e narizes.

Estudar a periferia, estudar o pobre, estudar o motoboy. Fazer matéria sobre o boteco com batata em conserva, buscar conversar com pichadores e mães solteiras. É legal usar as cobaias para manter a pose e a social.

Lide perfeito, frases sem erros gramaticais, parágrafos com tamanho ideal. Não me diz nada. Não há diálogo. Não há texto.

Muitas risadas. Piadas bem elaboradas. Sim, engraçadas. Falam alto, pegam no meu braço. Promessas surgem como bolhas que sobem para a superfície do oceano. Não sorri uma vez.

Já disseram que meu sobrenome é de pobre. Minha casa é pobre e meu bairro também. Não acredito em classe média. Proletário, burguês, rico e pobre. Reconheci essas duas realidades ao longo de 23 anos. O resto é pura vaidade. Quem vive no meio não pertence nem a si mesmo.

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"Use sua raiva para construir (sua rebeldia é premeditada)".

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Enquanto eu sentir, vou ser infeliz.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Love will tear us apart

Gosto dos meus sonhos. Eles sempre te trazem até mim.

Feriado prolongado e todos decidem ver o mar. Eu escolho isso todos os dias, mas ainda assim não consigo vê-lo. Ouço seu chamado, mas ignoro e meto a cara numa tela de computador. Não é fuga nem nada, é apenas a realidade como de fato ela é.

Ao menos meu coração continua orgânico. Eu prometo.

E por que ele irá nos separar?

(...)

Não escolho gostar de quem eu gosto. eu simplesmente gosto e sei que isso não vai mudar mesmo que eu tente com todas as minhas forças. A única maneira de não cair nessa ilusão é evitar o contato. Privar-me das longas conversas e dos encontros sem compromisso. Eu queria esse compromisso, no fundo gostaria de dizer que sou seu. Teria que ignorar qualquer chance de escrever minha história do jeito que tanto sonhei.

Sobre meus amores

O primeiro amor marca também a primeira decepção. Intrigava-me, pois era como o fogo. Bastava aparecer e todos prestavam atenção em você. Longos cabelos castanhos e os olhos mais bonitos que já vi. Tinha cheiro de liberdade. Me fez ter frio no estômago e perder os sentidos no primeiro beijo. Me fez sofrer demais e, graças a isso, aprender sobre a indiferença.

O segundo amor me provocava. Sabia me irritar e nunca terminava aquilo que tinha começado. Falava muito e queria me domar de todas as maneiras. Juntos éramos a melhor dupla, separados garantíamos as melhores brigas. Escolheu outra pessoa próxima de mim, mentiu por medo e me perdeu.


O terceiro amor era metade de mim. Estatura baixa, voz de sempre teve tudo o que quis e o melhor perfume de todos. Era uma mistura de vinho com todo o tipo de rebeldia. Tinha os melhores discos, conhecia os melhores sons. O melhor corpo para se abraçar. Nos perdemos no caminho. Queríamos a mesma coisa: conhecer outras pessoas.

O primeiro amor sem nome. Ganhou-me pela coragem. Veio até mim sem medo das coisa terríveis que eu poderia dizer. Disse e arriscou. Sem que soubesse, tinha ganhado meu coração naquele instante. Me fez esperar todos os dias na calçada, para ver seu rosto cansado. Fiquei louco de tristeza quando partiu, mas ganhei vida ao atender o telefone e ouvir sua voz. Era algo incerto, que não se pronunciava. Não me perdeu , porque nunca me teve. Foi o primeiro amor sem nome e sem som.

O segundo amor sem nome veio como flecha. De primeira, teve meu desprezo e sentimento de rivalidade. Ganhou espaço ao tentar apenas ser alguém próximo de mim. Tinha um sorriso leve, mas com o olhar penetrante. Sabia ouvir e queria conhecer. Sabia conhecer depois de ter ouvido. Me tirava a razão e por isso conseguia fazer meu coração pulsar. Nossos caminhos eram desconhecidos e por este motivo é que partíamos todos os dias. Perdeu-me quando se perdeu e não sabia mais quem era diante do espelho.

O terceiro amor sem nome está vivo. Vai além das linhas e além de tudo o que já vi. Não sabe, não vê e se vê prefere a cegueira. É platônico e dói muito, como ferida aberta coberta por sal. Vive num mundo próprio e me convida, sempre que possível, a conhecer seu espaço. Faz-me ficar aqui, escrevendo como um tolo, sobre os amores passados, só para eternizá-lo junto dessas palavras. Ainda não me perdeu, mas vou escrever sobre tal tema quando acontecer.

Mas se acontecer, vou escrever, pela primeira vez, a história que levo comigo todas as noites antes de dormir. Não sei se é sonho, só sei que me faz bem porque me faz pulsar.

Ainda vivo.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Escrever...

Não conseguia manter a periodicidade da escrita. Era incapaz de preencher um diário. Tudo porque escrever se tornara uma forma de catarse. Eu não queria me libertar todos os dias. Precisava me prender e ficar em silêncio para sentir o abraço invisível dos meus próprios braços.

Meus cadernos guardavam as melhores frases e pensamentos, sempre nas últimas folhas. Antes, era preciso alimentá-los com conhecimento barato e sem fundamento empírico. Falava-se de guerras e povos dentro das salas de aula, repletas de crianças que não conheciam nem mesmo a língua de seus ancestrais. Falava-se de vida quando, na verdade, se evitava explicar da onde surgiam os bebês. Exigiam dos pequenos os maiores cálculos e, mesmo que sem sentido algum, diziam que tais fórmulas eram essenciais. Foi durante os anos na escola que perdi minha essência e fiquei alheio a tudo.

Meu vocabulário sempre se limitou ao que queria dizer, apenas. Simples, fraco, incompleto, seja lá o que for, eu sabia dizer o que queria dizer e isso era suficiente. A gramática não era problema. Hoje, gera neurose. Um erro e parece que o texto inteiro perdeu seu valor.

Agora, quanto ao valor...

Que letra errada poderia tirar o brilho das palavras cheias de sentimento? Qual vírgula iria se atrever a cortar o pensamento livre que galopa nos campos imaginários? Qual crase irá fazer referência aos corpos e rostos que cito nos meus escritos? Das regras que definem o gênero do sujeito, qual vai ter coragem de dizer quem deve ser o quê? Se neste espaço em branco me foi dada a chance escrever, então que eu aproveite ao máximo. E ser tão completo em linhas a serem escritas é simplesmente deixar o rio correr, que das águas cristalinas tirarei o reflexo desses olhos apaixonados que leem devaneios.

A preocupação excessiva com uma escrita livre de erros sufoca a despreocupação que nos traz estórias interessantes. Eu não sei escrever, então. Prefiro não saber. Assim, reforço a ideia de que aqueles que não sabem são justamente os que têm tempo para aprender cada vez mais. Eles só não sabem como parar o pensamento ou formatá-lo. São sábios, não inteligentes. Inteligência é outra coisa. Máquinas são inteligentes, mesmo que artificialmente. Mas qual o problema nisso? Nós somos solidários mesmo que artificialmente.

Durante muitas tardes de 2006, passei a maior parte do tempo escrevendo no meu quarto. Me perdia em meio à páginas e, quando relia o que tinha escrito, não reconhecia o autor. Mágoas, acertos, felicidades e o coração que insistia em tomar a caneta e silenciar a razão. O coração é de leão, não posso evitar. Até hoje passeio por esses contos e textos que não se decidiam entre a realidade e o sonho. Eu não era jornalista, mas escrevia com amor e vontade. Hoje, estou prestes a me tornar um comunicador e percebo que perdi o dom da conversa comigo mesmo. Já não sei mais falar abertamente com o Vinicius, porque me prendi aos malditos termos e restrições técnicas que um bom redator deve seguir. Então, dispenso o título.

Escrever é como soltar um pássaro que há tempos esteve preso e não sabe mais qual a cor do céu. Ele voa para o alto, por instinto, e quando vê o imenso azul se recorda das tantas viagens que fez. Para não deixar que tais momentos desapareçam no ar, ele canta. Eu escrevo. Acho ali um universo onde a ordem não faz sentido e as frases vão se organizando como bem entendem. Encontro ali os pulmões da criatividade, cheios de ideias e planos. Estas linhas tímidas me convidam a dissertar sobre música e toda a harmonia que puder encontrar. Marcam o momento de uma maneira única, tão única quanto as minhas várias formas de ver cada coisa. Uma rede de ações internas que mudam o batimento cardíaco e fazem a respiração ser parecida com a de uma criança ofegante. Ela corre pelas vielas do bairro atrás de uma pipa. Não quer o brinquedo, quer apenas correr. Faz o que tem que ser feito só porque quer ir além. Quando diz que ama é porque quer o beijo. Quando diz que odeia é porque quer fazer as pazes. Quando me diz que não entende é porque entendeu e não consegue aceitar. Quando fica é porque já pensou muitas vezes em partir. Quando lê é porque sabe que ainda estou aqui, nas linhas que amarram nossos espíritos.

Escrever é não revisar os pensamentos e sim confiar neles.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Desenvolver

São muitas as vielas que cruzei e vou cruzar
Se São Paulo me recusa, risco um muro e vou andar sem
dizer que fui ou aonde fui, o dia passa na batida
antes mesmo de eu despertar
Falei que luto a cada dia, evito o luto mas sei aceitar
sem egoísmo, o tempo passa e pra mim ele também vai passar e
deixa a saudade de quem soube representar a amizade, o amor materno bases que vão me sustentar

Não fui bom rapaz todos os dias eu sei! Cada erro acumulado era um amor a mais de lado
jogado, largado, no silêncio da exclusão
Reclamei da solidão mas fiz o mesmo com o coração
deixei ele no frio, sozinho e machucado, coloquei trampo na frente de tudo
e perdi o dom e o compasso
Essas vielas me conhecem, sabem que eu vi ela, sorri sem saber o porquê
agora é tarde eu to na dela, mas se um dia for na dele não erra, não é errado
sentir sem buscar os nomes é amar sem ser controlado

Foi na rua que aprendi o peso que o mundo tem
chama os chegado pro futiba na rua até às 6
Vê irmão brigar com irmão, vê a namorada mudar, vê os colegas trair a
confiança que eu dei, mas se Jah voltasse e me desse a chance de rebubinar
essa fita ia ser a mesma, fortalecer pra recordar.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O fim não tem fim

Não havia mais nada a ser feito. Este era o último dia de vida na Terra e o céu estava em chamas. As pedras começaram a cair. Fazia sentido. Apedrejar os pecadores, coisa de gente que se considera perfeita. Coisa de Deus.

Não queria ficar perto da minha família. Vê-los morrer, não, melhor procurar outro local para o fim. No peito, aquela sensação ruim de que estava partindo cedo e que todas as maravilhas da vida estavam explodindo junto com as rochas gigantes que riscavam o céu. Uma mistura de medo e frustração, de total niilismo e indignação. Por que nós? Somos as criaturas mais incríveis, criamos muitas coisas, superamos muitas doenças. Mas, quando prestei atenção no horizonte e vi que o sol ainda continuava belo no final da tarde entendi o porquê de estar ali, parado, em pleno fim dos tempos.

(...)

O universo. Corpo infinito, repleto de partes, partículas, órgãos, vida e ausência. A constante expansão era como o som que se propaga no ar, mesmo que este não fizesse parte da sua composição. Silêncio e ruído. Cada pedaço daquele infinito parecia se conter dentro das linhas de poeira cósmica e energia sem origem definida.

Um grão de areia estava fora do lugar.

(...)

Eu vivia em um mundo onde a causa de todos os desastres era justamente a existência da minha espécie. Seja qual for a explicação que os religiosos têm sobre os motivos da destruição, uma coisa é fato: o ser humano sempre estará lá como protagonista. A raça incrível, que podia e fazia acontecer, vivia como parasita apenas consumindo e, por motivos óbvios, reconstruia para poder destruir. Comida só remete à fome. Água à sede. Os animais irracionais dão exemplo de vida em harmonia, seguindo apenas as regras da natureza e nós, os evoluídos, somos prisioneiros das dúvidas que criamos e que insistimos em sanar, mesmo depois de descobrir que muitas delas têm respostas irrelevantes.

Nós, os abençoados por diferentes entidades, conseguimos ouvir apenas a uma delas, a que diz: "mate". Não há nascimento que compense a morte dos sofridos, nem mesmo lei que consiga punir ao ponto de retirar do coração a superfície dura do rancor. Uma nação amamentada pelo medo e suas neuroses, escrava da razão que não busca sabedoria, apenas acumula e manipula o conhecimento. Das mãos negras que recolhem ossos e diamantes. Das mãos caucasianas que engatilham a arma. Das mãos negras e caucasianas que julgam mãos que são do mesmo sexo e estão dadas. Mãos que possuem o polegar opositor.

Nesse momento, não tive mais medo. Entendi a beleza e essência daquela cena e percebi que o fim não tem fim. É apenas o recomeço que se manifesta diante dos meus olhos.

Should I take a bullet from a gun?

Pegue todos os seus relatos e confissões, organize-os em textos bem escritos, publique tudo e seja infeliz.

Acordei de acordo com o dia e sua cara desanimadora. Não tomei café para amargar a boca, nem molhei os lábios. Seco.

Saí de casa com uma bola de ferro no calcanhar esquerdo e os ouvidos conspirando contra mim. Qualquer ruído era motivo para tirar uma bala da arma.

O Metrô, expressão máxima do "coletivo individual", que consegue acabar com a mágica (se é que existe mágica) da constante arte de (sobre)viver.

O que posso fazer? Não ouço a voz dos santos nem mesmo a de deus. Esqueci como se reza e de tanto cansaço deito e simplesmente durmo. Não sinto culpa pelas porcarias que fiz durante o dia. Sim, o inferno é isso, viver e não se arrepender das merdas que fez. No fundo, você sabe tanto quanto eu que só é culpado aquele que se considera assim. Gaste seu tempo e suas teorias tentando julgar alguém, para no final perceber que a culpa e algo subjetivo e a sentença para os meus pecados só eu posso dar. O conceito de "bem e mal" é tão flexível.

Coloquei "roupa de frio" e o sol faz questão de nascer. A vontade de querer andar e andar e andar... Sem rumo, horários, pessoas me esperando do outro lado da estação. Sabe aquele dia em que meus pensamentos já são o suficiente? Esqueci de esquecer o celular.

O mundo vive , tudo prossegue normal até onde eu sei. Escrever é a chance de burlar tal normalidade. Normatização, mecanização, inibição, reação , revolução, destruição, reconstrução. Se eu fosse deus, escreveria dessa maneira, bem simples e direta.

Saber de tudo, ter lido tudo, ter visto tudo. A língua se torna uma enciclopédia de arrogância e insegurança. A prepotência foi temperada com sal ao invés de pimenta. Tira o sabor verdadeiro do conhecimento e não queima a língua quando esta deve ser queimada.

Ser triste é diferente de ser depressivo e está muito distante de ser humano. Ser feliz é diferente de ser alegre e está a quilômetros de distância de ser apenas humano. Às vezes eu acho felicidade no simples olhar da minha gata, a Vicky. Também encontro alegria na aula que não acontece ou na conversa rápida, na saída da biblioteca. Tristeza e depressão? As entrelinhas tomam conta dessas duas.

A solidão... Como esquecer? Não quero esquecer. Ela está aí para ser vivida também. Na verdade, nem tento explicar, nem sei por que falei dela ou dele, ou deles(as)...Enfim.

Preciso achar um caminho alternativo. Preciso achar uma preocupação maior. Uma preocupação que seja só minha e não do mundo. Não quero mais resolver os problemas dele. A menos que consiga resolver os meus antes, o resto do peso não cairá mais sobre minhas costas.

O que aconteceria se eu esquecesse o caminho de casa?