sábado, 13 de fevereiro de 2010

Eu não sei o que dizer




Hoje não consegui falar nem ao menos mover os olhos na sua direção. Não consegui encarar os dias comuns, tudo porque me causa uma dor ainda. São tantas coisas passando plea minha cabeça, tantos momentos que compensam e outros que destroem. Estou lhe dizendo, eu não soube o que dizer por isso optei pelo silêncio. De qualquer forma, não houve uma pergunta se quer. Não houve preocupação da sua parte, talvez se eu estivesse realmente morrendo você nem saberia de fato. Porque não lhe é interessante saber. É um silêncio vindo de ambos os lados.


Não faço uso destas palavras para mais uma vez retratar uma tristeza profunda, hoje eu as uso para dizer que estou conseguindo me reerguer. Ainda dói muito, mas estou tentando, firme. E também para refletir quanto uma coisa que está realmente clara. Sim, as coisas tomam sempre o mesmo rumo, e quando a amizade não importa mais apenas vivemos de tolerância.


Hoje, ao cantar uma música chamada "Blood Stain On My Shirt" eu quase fraquejei. Pois pude sentir cada frase cantada. Uma droga, mas uma droga que eu preciso.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Mãos dadas

Nunca senti tanta dor no peito ao ver duas mãos dadas. Jamais percebi que dentro de mim havia um demônio adormecido que dispertou e simplesmente tomou conta do meu corpo. Eu busquei a morte, busquei a fuga, busquei pessoas, mas tudo o que encontrei foi uma tristeza tão grande que se misturou a toda raiva que já tive durante a vida.

Realmente, estou fora de controle, e só escrevo aqui para distrair a cabeça e não optar por um sono daqueles que nunca se sabe quando vai acordar, ou se vai acordar.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Se eu pudesse fazer um trato com Deus ...




Não dói. Desde que você confie em mim. O "adeus" nunca dói de verdade. O que dói mesmo é a sensação de derrota, de perder para si mesmo. Ser incapaz de te manter por perto, sob meu controle. Ainda assim, não dói tanto, já sofremos bem mais que isso. E lembrar as vezes serve como bateria.


Sei que no fundo você não quer me machucar, só ver o quão fundo a bala pode ir. Se ela chega até meu coração. Tudo o que você sempre quis foi ele. Corremos juntos contra o tempo, e se pudéssemos teríamos feito um trato com Deus pedindo que ele guardasse todos os nossos lugares. Aqueles em que fomos felizes do tamanho de um infinito, insuportavelmente felizes. Lugares em que precisávamos brigar para equilibrar os chakras. Lugares que só eu, você e Deus dançamos. Mas claro, a três sempre um sobra, e eu sei que Deus vai entender.


Não há culpa que nos faça ir embora. Você sempre olhou diretamente nos meus olhos, sempre me abraçou com força, mas nunca alcançou o coração. Quando ambas as casas estavam queimando feito inferno, e você não aguentava ouvir as mesmas reclamações nós fomos até aquele lugar. E quando eu estava dilacerando a mim mesmo, pagando caro apenas por alguns minutos de briga e catarse você me levou para aquele lugar. Percebe ? Nós nunca pertencemos a um único lugar, somos tão fragmentados quanto os trovões constantes em nossos corações. Ambos nos importávamos com cada lugar, com cada pedaço nosso. E de tanto percorrer diversos lugares, e deixar em cada um deles um pouco de nós, não nos restou nada. Eu e você nos olhamos pela ultima vez, e mandamos o amor se calar. Mandamos Deus tocar outra música, uma que não pedisse a união de nossos corpos.


Eu nunca quis te machucar, mas sabe que dentro de mim mora uma besta violenta e incontrolável. Você nunca quis me machucar, mas me disse que dentro de você existe vários "vocês" e que eu já não conseguia mais conviver com todos. O que mais me seduz nessa música é saber que não há um fim. Não houve uma ruptura. E eu falo por nós. Não sei quem está do outro lado do muro, não sei nem se lembra do meu nome ou da promessa. O que sei é que você não me machucou, só me ajudou a perceber que no final das contas ( mesmo não havendo um final ) nós ainda procuramos os mesmos lugares. Pois ali estamos nós, não te contei, mas Deus aceitou minha proposta.


Eu fiz um trato com Deus, e como pagamento ele me fez esquecer do seu nome, do seu rosto e do seu gosto. Mas algo em mim ainda busca aquele unico lugar onde fomos um, por alguns bons segundos.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Insonia




Impossível dormir. A cama se torna um inferno quente e desconfortável, mas antes fosse esse o obstáculo. Quando me deitei a mente disparou feito gatilho sedento por miolos. Hora se horas me virando e tentando pensar em coisas nulas ou repetitivas que me deixassem com sono, mas foi inutil, eu só conseguia pensar nas piores coisas e nas vivências mais dolorosas. Nem água, nem leitura me ajudaram. As luzes se apagaram e mesmo com os olhos fechados eu ainda via rostos e revivia dias em que tudo o que eu achei ser felicidade era na verdade plástico com laços de presente. Eu que deixei quase tudo para trás em nome do que parecia "certo", hoje vivo a tormenta de não ter vivido tudo o que estava reservado para mim. Não me interessa se hoje tudo isso não faz sentido, mas pelo menos fez naquela época , e também não me interessa se os amigos repetem as mesmas frases achando que estão ajudando. O que é dito, o que é escrito não vale porra nenhuma, o que vale mesmo é a intenção por trás das palavras. Quantas vezes eu quis dizer "eu te amo" e disse "você é foda", quantas vezes eu quis dizer " fica " e acabei dizendo " pode ir, eu não me importo". Sempre quis que entendessem que eu não digo diretamente o que sinto, aguardo até que a pessoa compreenda ou tente compreender. Por isso estou como estou , descontente com quase tudo. Tenho amigos maravilhosos, nunca vou negar isso, só não sei como dizer as coisas a eles.


Eu me vejo caminhando dias e dias pelas mesmas estradas paro e olho a minha volta, um enorme deserto me convida para passar a noite em sua cama de areia. Não consigo dormir, o cheiro de gasolina perto do meu rosto e os espinhos de cactos rasgando meus braços. Sei que amanhã eu não vou ter coragem de usar regatas, e se tiver vou dizer " Alergia, odeio". Mais uma vez eu não sei como dizer " socorro eu não consigo me controlar quando estou extremante nervoso". A cabeça se acostuma com aqueles pensamentos violentos de querer arremessar pessoas de penhascos, socar pessoas sorridentes, queimar pessoas enquanto elas dormem, e eu não.


A verdade é que "amigo" só é amigo enquanto ele faz os outros rir e resolve parte dos problemas das outras pessoas. Porque quando é ele que está na lama os "amigos" só sabem dizer " Vai passar", " A vida é assim", "Você tem que sair", etc. Uma vez, um amigo me disse "É raiva que você tem ? Então vamos descontá-la ! É tristeza que você tem ? Então vamos dividi-la ! É solidão que você sente? Então vamos caminhar !". Algo desse tipo.


Posso garantir, foram as noites em que melhor dormi.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Jurei que aprenderia a me controlar ...




Mas menti mais uma vez. Não consigo criar um limite para "o gostar" ou "o admirar". Faço isso em silêncio, e demonstro aos poucos, de uma maneira sutil. É como dizer "acho que gosto de você" escrevendo com o dedo no vidro da janela e depois soprando ... No entanto, quanto eu te quiser , você não vai estar lá para mim.


Acalma meu coração, silencia meus pensamentos e pelo amor de Jah, abrace meu espírito, como aquele abraço de partida , que risca uma lágrima no rosto e aperta um coração ao outro. Não me deixa fugir, não me deixa sentir que perdi algo importante. Pelo menos, dessa vez , me ensina que não estou perdendo nada , pois de fato nunca tive. Nunca te tive. No fundo a culpa é toda minha, eu não devia ter me aproximado tanto assim. Existe sempre uma voz que diz " Quanto mais próximo, mais longe da razão estará".


Ter a sensação de que é capaz de mudar o mundo para ver você feliz, e ainda assim faz tudo isso em silêncio. Eu serei sempre aquela brisa leve que bate no seu rosto e te faz sorrir a qualquer hora. Só não me deixe como lembrança, pois o tempo seria meu dono e já decidi que quero pertencer a você.


Não é uma declaração, nem ao menos um pedido. Sou apenas eu conversando comigo mesmo, mais uma vez.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O que eu disse para o mar ...




(...)


Da janela do carro eu já avistava aquela faixa azul esverdeada logo acima da areia fina e infinita. O calor já envolvia a tudo e todos, mas meu corpo estava paralisado, apenas admirando o mar. Quando finalmente me livrei da caixa de metal ambulante fui caminhando em direção aquele que conquistou meus olhos. Ao pisar na areia já não estava mais nem um pouco conectado com este mundo de concreto e cheiro de fumaça. Não sei quanto tempo passei parado olhando as ondas, olhando o nada , pensando em nada. Realmente, é como apagar todos os pensamentos e apenas sentir algo bom tomando conta de você.


Ao entardecer , após um bom banho na água salgada, a alma lavada dançava dentro de mim cantando novas músicas. Músicas que eu não conseguia ouvir afogado na angustia da civilização. O tom laranja dessa vez não tornou as coisas desinteressantes, muito pelo contrário, um contraste magnífico com o violeta que caia sobre a areia e o mar já negro feito um pano, reflexo doc éu estrelado na terra. Eu via as pessoas, mas na verdade apenas me fixava nas suas silhuetas, eu ouvia alguns carros, mas me ligava mesmo é no barulho do vento cortando as árvores. Como já dizia uma música, " A paz invadiu o meu coração, como o vento de um tufão". Sabias palavras, momento sublime que em instantes depois se deitava em um silêncio, esperando Morfeu chegar e fechar os olhos dos que ainda estão paralisados olhando o infinito do mar casado com a profundidade da noite.


Foi assim que eu percebi o quão longe eu estava da vida e inserido em uma sobrevivência frenética e neurótica. Hoje, não estou na frente do mar enquanto escrevo essas palavras, mas consegui durante esse texto todo me transportar para lá. Posso lhes garantir, o mar continua lindo , e eu disse isso diretamente para ele.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O que eles querem ver

Lamento, mas a sua insegurança parecia ser apenas uma fase da nossa infância. O seu jeito totalmente diferente do meu, mas um amor tão forte, um pacto, uma divida minha que não queria pagar , só par ter você por perto, cobrando.
Eu sempre achando que tudo era ridiculamente intediante, e você ? Buscando sentido para tudo e todos, eu mentia para conquistar , você sempre dizia a verdade e não participava das besteiras mais comuns ... você chamava tudo de pecado , eu sempre achei divertido.

No fundo nós sempre fomos uma pessoa só, dividida entre "ser" e " o que devo ser".

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ela pura me faz relaxar ...



"(...)

Acordei cedo, sabia que tinha que estar arrumado antes da minha mãe acordar. E sabia que já devia ter ido para aquele treino estupido. Mas demorei um pouco mais, não sei por que, mas demorei. Do outro lado da parede eu pude escutar sua porta bater, e instantaneamente eu senti meu estômago cheio de borboletas, uma sensação ruim e ao mesmo tempo tão boa! Nos olhamos nos olhos e apenas um " Oi" foi o bastante para começar o meu dia bem."

Nunca fui bom com romantismo, mas flertar sempre me chamou a atenção. Ficar do outro lado da linha, ou da janela, imaginando coisas e potencializando gestos. Tornando um simples "Oi" em um convite ou um "sim". O mal dos Virginianos é querer sempre ser o conquistado e não o conquistador. Mas quando se tem o ascendente em Leão as coisas mudam um pouco. Seja como for, hoje percebi que a liberdade de não pertencer é algo tão invejado pelos outros e adorado por mim.

Quando você se prende a alguém , ou alguma coisa, deixa de respirar e passa a ansiar por um ar que não é seu.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

It's really so strange




Eu, comigo mesmo.


(...)


Não, hoje eu quero sair sabe ? Ficar aqui neste quarto, em pleno dia de garoa e céu nublado é um desperdício. Podemos ir para lugar nenhum, ir tomando qualquer caminho, mas podemos ir os dois, o que me diz ? Pega aquela jaqueta para mim, gosto do frio, quando estou aquecido. Que seja, eu vou com aquela minha velha regata por baixo, assim eu sinto um pouco de frio, mesmo porque não adianta nada gostar do frio sem senti-lo. Eu gosto de você e acho que até dá pra sentir...

Não, todo mundo faz questão de ser complicado. Quando a gente saiu daqui é que percebi o peso ficando para trás, por que será que gostamos tanto desse pouco que temos? Sei, e você diz que não acredita em almas gêmeas. Eu não acredito, só sei que vivo o que está aqui no presente, eu vivo você até a carne abaixo dos seus ossos. Sim, eu me sinto livre e nem você conseguiria me prender, com certeza vai continuar achando que meu espírito pode ser domado. Sabe que nunca via conseguir isso, mas eu gosto de te ver tentando. Claro, ali é um lugar tranquilo, podemos respirar um pouco e conversar...

Não, mas achou que podia conseguir alguma coisa. Basta a gente olhar sem aquele desprezo paulistano e o outro já pensa que queremos algo a mais. Talvez seja por que estamos esbanjando uma felicidade estranha, aquela que só se faz com um sorriso discreto no rosto, feito linha que inicia um desenho, um esboço. Olha, daqui não vejo mais tantas pessoas, e nem escuto o som dos carros. Quem diria? Estamos no coração da cidade, e ele ainda pulsa ! Certo, vamos andando então.

Não, agora eu sei. Antes eu achava que era tudo distante, todos estavam ocupados com seus amores estúpidos, e eu desocupado. Claro, eu ri em alguns momentos ... Mas eram risadas de fuga. Todos os dias eu levantava pensando "como vou evitar tal pessoa?". Agora é passado, e sim eu aceito seu presente, sabe que sempre me encantei por coisas simples, o significado é que me diz o quanto vale.

Não, nunca disse que era amor. Odeio nomear essas coisas, entende ? Parece que quando você dá um nome todo mundo sabe falar sobre, e insiste em dizer que "viveu o mesmo". Mas nunca viveu, eu mesmo sinto que só eu sei do que estou falando e sentindo. Nunca me custou muito deixar as coisas fluírem naturalmente, me levando a crer que a verdade era plural e que tinha um nome para cada dono. Se você chama de gostar ou amar tanto faz, o que importa é que me faz bem e ao mesmo tempo sinto que se espalha como toxina.

Não, dizer que é " para sempre" sempre soou como o primeiro contato com o fim. Ok, sei que você disse no sentido de infinito, mas saber que existe a morte já quebra todo esse clima. Pensa assim, que o "para sempre" está entre o segundo do passado e o segundo que faz o presente, isso é o "para sempre", o momento que aconteceu e se eternizou. (risos)Isso mesmo, assim como esse meu sorriso, assim como essa sua cara de "?". Garoa ... tem gosto de "para sempre".

Não, mas ficar só é algo a se pensar. Eu queria ter tudo e todos a minha disposição, mas a vida me ensinou que não é assim. Foi como uma mãe batendo no filho para que ele não fizesse merda. (risos)Claro, mas morarmos juntos seria algo engraçado. Acordar e ir comprar pão, muito bizarro. Pão, café e Engov. É óbvio, aí chegaríamos do serviço, jogaríamos as chaves na mesa e sem dizer uma palavra a gente ia se cumprimentar. Pode ser legal , mas não sei se conseguiria ser tão liberal, eu gosto de ter o controle e principalmente, gosto de dizer como vai ser.


... (neste momento eu aprendi que todo o sonho precisa acabar, pois só assim eu seria capaz de construir a realidade)


Não, eu não tenho ódio nem raiva, estou apenas vazio. Pode chamar de indiferença, faz sentido. O que aconteceu foi que eu estava ali com uma pessoa que nunca existiu, e você que está na minha frente é um desconhecido. Só me resta a indiferença e uma educação quase que mecânica. Mas obrigado, reviver pela ultima vez foi importante, pude então dar o ponto final para este ensaio. (ponto)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tão macio quanto deitar na grama...




O tempo não é contado a cada vez que volto aqui. Acho que este é o elemento chave para que nosso relacionamento dê certo. Viver assim, sem um cronometro, sem contar quantas batidas o coração dá ao te ver.


Muitas coisas aconteceram, mas nenhuma delas foi forte o bastante. Todas foram intensas no breve momento em que apareceram, e assim foi. Silenciosamente todos aqueles choros e angustias de outras pessoas desapareceram, e vejo que muitos estão finalmente encontrando seu rumo. Existe uma certa paz nisso, assim como existe um incomodo também, pois está música não toca para todos. Porém, todos querem dançar , e ser felizes , e amar , e sofrer por amor ... Enfim, do sabor e da dor todos nós queremos uma dose ao menos.


Escrever fora dos padrões jornalísticos também é um exercício, ao meu ver. Escrever é como dar um passo para fora da terra, flutuar num espaço imenso, silencioso , onde mais uma vez só se escutará as vozes do próprio pensamento. Dai sim, revela-se aquilo que é de fato marcante em nossas vidas ... Sempre haverá aquela melodia, aquele dia , aquela despedida, aquelas promessas e aquelas mentiras ... Sempre!


Já reclamo menos, mas ainda reclamo. Tenho menos raiva , mais ainda a sinto. Não amo, mas ainda penso em amar. Não pertenço, mas imagino como seja pertencer. Luto, só não sei ainda se quero mesmo vencer. E o que eu sei? O bastante para continuar escrevendo aqui.