quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Insonia




Impossível dormir. A cama se torna um inferno quente e desconfortável, mas antes fosse esse o obstáculo. Quando me deitei a mente disparou feito gatilho sedento por miolos. Hora se horas me virando e tentando pensar em coisas nulas ou repetitivas que me deixassem com sono, mas foi inutil, eu só conseguia pensar nas piores coisas e nas vivências mais dolorosas. Nem água, nem leitura me ajudaram. As luzes se apagaram e mesmo com os olhos fechados eu ainda via rostos e revivia dias em que tudo o que eu achei ser felicidade era na verdade plástico com laços de presente. Eu que deixei quase tudo para trás em nome do que parecia "certo", hoje vivo a tormenta de não ter vivido tudo o que estava reservado para mim. Não me interessa se hoje tudo isso não faz sentido, mas pelo menos fez naquela época , e também não me interessa se os amigos repetem as mesmas frases achando que estão ajudando. O que é dito, o que é escrito não vale porra nenhuma, o que vale mesmo é a intenção por trás das palavras. Quantas vezes eu quis dizer "eu te amo" e disse "você é foda", quantas vezes eu quis dizer " fica " e acabei dizendo " pode ir, eu não me importo". Sempre quis que entendessem que eu não digo diretamente o que sinto, aguardo até que a pessoa compreenda ou tente compreender. Por isso estou como estou , descontente com quase tudo. Tenho amigos maravilhosos, nunca vou negar isso, só não sei como dizer as coisas a eles.


Eu me vejo caminhando dias e dias pelas mesmas estradas paro e olho a minha volta, um enorme deserto me convida para passar a noite em sua cama de areia. Não consigo dormir, o cheiro de gasolina perto do meu rosto e os espinhos de cactos rasgando meus braços. Sei que amanhã eu não vou ter coragem de usar regatas, e se tiver vou dizer " Alergia, odeio". Mais uma vez eu não sei como dizer " socorro eu não consigo me controlar quando estou extremante nervoso". A cabeça se acostuma com aqueles pensamentos violentos de querer arremessar pessoas de penhascos, socar pessoas sorridentes, queimar pessoas enquanto elas dormem, e eu não.


A verdade é que "amigo" só é amigo enquanto ele faz os outros rir e resolve parte dos problemas das outras pessoas. Porque quando é ele que está na lama os "amigos" só sabem dizer " Vai passar", " A vida é assim", "Você tem que sair", etc. Uma vez, um amigo me disse "É raiva que você tem ? Então vamos descontá-la ! É tristeza que você tem ? Então vamos dividi-la ! É solidão que você sente? Então vamos caminhar !". Algo desse tipo.


Posso garantir, foram as noites em que melhor dormi.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Jurei que aprenderia a me controlar ...




Mas menti mais uma vez. Não consigo criar um limite para "o gostar" ou "o admirar". Faço isso em silêncio, e demonstro aos poucos, de uma maneira sutil. É como dizer "acho que gosto de você" escrevendo com o dedo no vidro da janela e depois soprando ... No entanto, quanto eu te quiser , você não vai estar lá para mim.


Acalma meu coração, silencia meus pensamentos e pelo amor de Jah, abrace meu espírito, como aquele abraço de partida , que risca uma lágrima no rosto e aperta um coração ao outro. Não me deixa fugir, não me deixa sentir que perdi algo importante. Pelo menos, dessa vez , me ensina que não estou perdendo nada , pois de fato nunca tive. Nunca te tive. No fundo a culpa é toda minha, eu não devia ter me aproximado tanto assim. Existe sempre uma voz que diz " Quanto mais próximo, mais longe da razão estará".


Ter a sensação de que é capaz de mudar o mundo para ver você feliz, e ainda assim faz tudo isso em silêncio. Eu serei sempre aquela brisa leve que bate no seu rosto e te faz sorrir a qualquer hora. Só não me deixe como lembrança, pois o tempo seria meu dono e já decidi que quero pertencer a você.


Não é uma declaração, nem ao menos um pedido. Sou apenas eu conversando comigo mesmo, mais uma vez.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

O que eu disse para o mar ...




(...)


Da janela do carro eu já avistava aquela faixa azul esverdeada logo acima da areia fina e infinita. O calor já envolvia a tudo e todos, mas meu corpo estava paralisado, apenas admirando o mar. Quando finalmente me livrei da caixa de metal ambulante fui caminhando em direção aquele que conquistou meus olhos. Ao pisar na areia já não estava mais nem um pouco conectado com este mundo de concreto e cheiro de fumaça. Não sei quanto tempo passei parado olhando as ondas, olhando o nada , pensando em nada. Realmente, é como apagar todos os pensamentos e apenas sentir algo bom tomando conta de você.


Ao entardecer , após um bom banho na água salgada, a alma lavada dançava dentro de mim cantando novas músicas. Músicas que eu não conseguia ouvir afogado na angustia da civilização. O tom laranja dessa vez não tornou as coisas desinteressantes, muito pelo contrário, um contraste magnífico com o violeta que caia sobre a areia e o mar já negro feito um pano, reflexo doc éu estrelado na terra. Eu via as pessoas, mas na verdade apenas me fixava nas suas silhuetas, eu ouvia alguns carros, mas me ligava mesmo é no barulho do vento cortando as árvores. Como já dizia uma música, " A paz invadiu o meu coração, como o vento de um tufão". Sabias palavras, momento sublime que em instantes depois se deitava em um silêncio, esperando Morfeu chegar e fechar os olhos dos que ainda estão paralisados olhando o infinito do mar casado com a profundidade da noite.


Foi assim que eu percebi o quão longe eu estava da vida e inserido em uma sobrevivência frenética e neurótica. Hoje, não estou na frente do mar enquanto escrevo essas palavras, mas consegui durante esse texto todo me transportar para lá. Posso lhes garantir, o mar continua lindo , e eu disse isso diretamente para ele.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O que eles querem ver

Lamento, mas a sua insegurança parecia ser apenas uma fase da nossa infância. O seu jeito totalmente diferente do meu, mas um amor tão forte, um pacto, uma divida minha que não queria pagar , só par ter você por perto, cobrando.
Eu sempre achando que tudo era ridiculamente intediante, e você ? Buscando sentido para tudo e todos, eu mentia para conquistar , você sempre dizia a verdade e não participava das besteiras mais comuns ... você chamava tudo de pecado , eu sempre achei divertido.

No fundo nós sempre fomos uma pessoa só, dividida entre "ser" e " o que devo ser".

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ela pura me faz relaxar ...



"(...)

Acordei cedo, sabia que tinha que estar arrumado antes da minha mãe acordar. E sabia que já devia ter ido para aquele treino estupido. Mas demorei um pouco mais, não sei por que, mas demorei. Do outro lado da parede eu pude escutar sua porta bater, e instantaneamente eu senti meu estômago cheio de borboletas, uma sensação ruim e ao mesmo tempo tão boa! Nos olhamos nos olhos e apenas um " Oi" foi o bastante para começar o meu dia bem."

Nunca fui bom com romantismo, mas flertar sempre me chamou a atenção. Ficar do outro lado da linha, ou da janela, imaginando coisas e potencializando gestos. Tornando um simples "Oi" em um convite ou um "sim". O mal dos Virginianos é querer sempre ser o conquistado e não o conquistador. Mas quando se tem o ascendente em Leão as coisas mudam um pouco. Seja como for, hoje percebi que a liberdade de não pertencer é algo tão invejado pelos outros e adorado por mim.

Quando você se prende a alguém , ou alguma coisa, deixa de respirar e passa a ansiar por um ar que não é seu.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

It's really so strange




Eu, comigo mesmo.


(...)


Não, hoje eu quero sair sabe ? Ficar aqui neste quarto, em pleno dia de garoa e céu nublado é um desperdício. Podemos ir para lugar nenhum, ir tomando qualquer caminho, mas podemos ir os dois, o que me diz ? Pega aquela jaqueta para mim, gosto do frio, quando estou aquecido. Que seja, eu vou com aquela minha velha regata por baixo, assim eu sinto um pouco de frio, mesmo porque não adianta nada gostar do frio sem senti-lo. Eu gosto de você e acho que até dá pra sentir...

Não, todo mundo faz questão de ser complicado. Quando a gente saiu daqui é que percebi o peso ficando para trás, por que será que gostamos tanto desse pouco que temos? Sei, e você diz que não acredita em almas gêmeas. Eu não acredito, só sei que vivo o que está aqui no presente, eu vivo você até a carne abaixo dos seus ossos. Sim, eu me sinto livre e nem você conseguiria me prender, com certeza vai continuar achando que meu espírito pode ser domado. Sabe que nunca via conseguir isso, mas eu gosto de te ver tentando. Claro, ali é um lugar tranquilo, podemos respirar um pouco e conversar...

Não, mas achou que podia conseguir alguma coisa. Basta a gente olhar sem aquele desprezo paulistano e o outro já pensa que queremos algo a mais. Talvez seja por que estamos esbanjando uma felicidade estranha, aquela que só se faz com um sorriso discreto no rosto, feito linha que inicia um desenho, um esboço. Olha, daqui não vejo mais tantas pessoas, e nem escuto o som dos carros. Quem diria? Estamos no coração da cidade, e ele ainda pulsa ! Certo, vamos andando então.

Não, agora eu sei. Antes eu achava que era tudo distante, todos estavam ocupados com seus amores estúpidos, e eu desocupado. Claro, eu ri em alguns momentos ... Mas eram risadas de fuga. Todos os dias eu levantava pensando "como vou evitar tal pessoa?". Agora é passado, e sim eu aceito seu presente, sabe que sempre me encantei por coisas simples, o significado é que me diz o quanto vale.

Não, nunca disse que era amor. Odeio nomear essas coisas, entende ? Parece que quando você dá um nome todo mundo sabe falar sobre, e insiste em dizer que "viveu o mesmo". Mas nunca viveu, eu mesmo sinto que só eu sei do que estou falando e sentindo. Nunca me custou muito deixar as coisas fluírem naturalmente, me levando a crer que a verdade era plural e que tinha um nome para cada dono. Se você chama de gostar ou amar tanto faz, o que importa é que me faz bem e ao mesmo tempo sinto que se espalha como toxina.

Não, dizer que é " para sempre" sempre soou como o primeiro contato com o fim. Ok, sei que você disse no sentido de infinito, mas saber que existe a morte já quebra todo esse clima. Pensa assim, que o "para sempre" está entre o segundo do passado e o segundo que faz o presente, isso é o "para sempre", o momento que aconteceu e se eternizou. (risos)Isso mesmo, assim como esse meu sorriso, assim como essa sua cara de "?". Garoa ... tem gosto de "para sempre".

Não, mas ficar só é algo a se pensar. Eu queria ter tudo e todos a minha disposição, mas a vida me ensinou que não é assim. Foi como uma mãe batendo no filho para que ele não fizesse merda. (risos)Claro, mas morarmos juntos seria algo engraçado. Acordar e ir comprar pão, muito bizarro. Pão, café e Engov. É óbvio, aí chegaríamos do serviço, jogaríamos as chaves na mesa e sem dizer uma palavra a gente ia se cumprimentar. Pode ser legal , mas não sei se conseguiria ser tão liberal, eu gosto de ter o controle e principalmente, gosto de dizer como vai ser.


... (neste momento eu aprendi que todo o sonho precisa acabar, pois só assim eu seria capaz de construir a realidade)


Não, eu não tenho ódio nem raiva, estou apenas vazio. Pode chamar de indiferença, faz sentido. O que aconteceu foi que eu estava ali com uma pessoa que nunca existiu, e você que está na minha frente é um desconhecido. Só me resta a indiferença e uma educação quase que mecânica. Mas obrigado, reviver pela ultima vez foi importante, pude então dar o ponto final para este ensaio. (ponto)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Tão macio quanto deitar na grama...




O tempo não é contado a cada vez que volto aqui. Acho que este é o elemento chave para que nosso relacionamento dê certo. Viver assim, sem um cronometro, sem contar quantas batidas o coração dá ao te ver.


Muitas coisas aconteceram, mas nenhuma delas foi forte o bastante. Todas foram intensas no breve momento em que apareceram, e assim foi. Silenciosamente todos aqueles choros e angustias de outras pessoas desapareceram, e vejo que muitos estão finalmente encontrando seu rumo. Existe uma certa paz nisso, assim como existe um incomodo também, pois está música não toca para todos. Porém, todos querem dançar , e ser felizes , e amar , e sofrer por amor ... Enfim, do sabor e da dor todos nós queremos uma dose ao menos.


Escrever fora dos padrões jornalísticos também é um exercício, ao meu ver. Escrever é como dar um passo para fora da terra, flutuar num espaço imenso, silencioso , onde mais uma vez só se escutará as vozes do próprio pensamento. Dai sim, revela-se aquilo que é de fato marcante em nossas vidas ... Sempre haverá aquela melodia, aquele dia , aquela despedida, aquelas promessas e aquelas mentiras ... Sempre!


Já reclamo menos, mas ainda reclamo. Tenho menos raiva , mais ainda a sinto. Não amo, mas ainda penso em amar. Não pertenço, mas imagino como seja pertencer. Luto, só não sei ainda se quero mesmo vencer. E o que eu sei? O bastante para continuar escrevendo aqui.

sábado, 31 de outubro de 2009

Só o corpo adoece

Eu, e as duas essências que me compõem. O não material que acaba se materializando no meu rosto e o material que some feito poeira quando escolho pronunciar as palavras corretas. Na verdade, como já havia lido, o maior sofrimento não está na carne, se assim fosse, o suicídio de fato seria o melhor remédio. O que não vem ao caso.

Um breve inicio que não tem cara de introdução, remetendo o leitor -principalmente se ele for um escritor também, a um texto sem estrutura e dificil de analisar tecnicamente. Eu me permito ser assim, não formatado nas regras da ABNT, blah blah blah.

Até teria muitas coisas para dizer, só que de repente perdi a vontade. Soa mais sincero assim.

Cry baby ...

sábado, 17 de outubro de 2009

A arte de negar





Negue os seus sentimentos e vontades mais malucas. Negue o seu mau humor crônico e a falta de consideração para com o próximo. Negue a paixão que queima no peito e a indiferença diante da dor alheia. Negue o bom dia , negue o boa noite, negue que se sente só toda vez que deita na cama e não escuta a porta bater. Negue que precisa de dinheiro, negue que precisa ter mais do que necessita. Negue que saiu hoje, negue que voltará amanhã. Mas volte.

Optar por não sair pode ser optar por um vazio imenso nas próximas horas. Acordar no domingo sem nem ao menos ter alguma lembrança do sábado. Mas você tem a maldita lembrança de que teve uma visita digna e mesmo assim negou que ela tenha sito importante. Mas foi.

Aceite a fuga como base segura, aceite a desculpa como carta na manga. E negue tudo aquilo que vier por consequência da sua falta de otimismo. Aproveite a baixa iluminação e faça fotos em preto e branco, esconda os detalhes, ressalte as lacunas. Mas não deixe de retratar.

Diga uma frase que faça sentido, e que vá além do que foi delimitado. Explique que só se eterniza o que é escrito, e que a fala pode ser alterada , pode ser construída e o "não" tem toda a capacidade de se tornar um "sim". Mas deixe que falem , e falem bastante.

O som te induz a escrever compulsivamente, por linhas sem sentido ou com um sentido egoísta e egocêntrico. Se permita errar e optar por não ser um exemplo. Siga o caminho desenhado pelos seus olhos e esqueça que alguém à frente já ultrapassou a linha de chegada. Perdoa a si mesmo por não saber perdoar as outras pessoas. Não viva com o rancor, mas aprenda com ele. Queima a porcaria do "filtro solar", beba, grite , brigue , pegue todos os malditos verbos no imperativo e jogue no lixo. Mas comande a si mesmo.

Sei tão pouco e mesmo assim me acho em condições de escrever tudo o que escrevi. Vejo que pouco tempo tenho para tentar renovar ou passar por uma nova fase. Também sei que pouco me importo com a medida do tempo, pois sei que quando está se fazendo o que gosta tudo corre numa velocidade cósmica. Já não há mais busca por desejos barateados, já não há mais aquela vontade de simplificar para tentar alcançar. Eu sei que falo muito, contudo o conteúdo é praticamente o mesmo: Aquela velha insatisfação que me satisfaz, pois me faz pensar, refletir e tentar achar um sentido. Corte os solos imensos, corte os vocais afinados, corte o baixo sem palheta, corte a bateria com 10 mil pratos. Mas faça uma música sincera. Faça a porra de um bom punk rock.

Faça, e só.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Além do texto




Não sei se foi pela sensação que resolvi escrever. Ou se foi pela simplicidade do momento em que, subitamente, eu me desliguei do ritmo acelerado do mundo e fiquei estático, apenas me sentindo como parte de um "todo" não fragmentado. Uma rede de conexões cósmicas se instalou no meu ser, parecia que aquela brisa leve não deixava mais a pele do rosto e você enxerga tudo de maneira tão minimalista.


Por mais que eu tenha crescido em meio ao caos e tudo tivesse rumado sempre para um conflito maior e mais complexo, hoje eu já consigo rumar para um certo plano onde impera a calmaria ou o silêncio necessário para ouvir os próprios pensamentos. O corpo ficou leve e então apenas segui o fluxo natural, escorrendo por entre meus dedos, sem verdade ou mentira, sem explicação que venha de alguma teoria. Deixa toda a materialidade das paredes para trás, vá além do concreto , vá além do texto e deixe que as palavras ecoem no espaço dentro da sua mente, que elas se tornem vozes suaves capazes de gerar uma polifonia impessoal.


Hoje deixei de ser um só, e me juntei ao todo ... Esqueci por muitas horas do "eu".


Nem felicidade, nem tristeza. Apenas um alívio sublime.